terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Vogue

Cena 1:
Tom Ford, ex-estilista da grife italiana Gucci, ao final de seu desfile aclamado pelo mundinho fashion em 2001, analisa: "ninguém precisa de mais um sapato de 500 dólares, é meu trabalho criar essa necessidade".

Cena 2:
Jean Paul Gaultier nos bastidores de seu desfile de alta costura para outono 2009 trabalha ensandecido fazendo mudanças em suas roupas a menos de 24 horas do início do evento. Uma das costureiras tem que refazer à mão um casaco 7/8 todo montado com retalhos de couro e crochê.

Cena 3:
Janeiro, verão, Brasil. Os dois principais eventos da moda brasileira, Fashion Rio e São Paulo Fashion Week, mostram as tendências para a próxima estação. Nos pavilhões do evento, moderninhos, blogueiros, antenados, celebridades, curiosos, desocupados, estilosos e descolados conferem os desfiles.

As três cenas fazem parte desse show permanente que é a moda. Pode escolher: arte, consumismo ou estilo?
Logo, logo os editoriais de toda revista feminina vão estampar as novas tendências. O que pode e não pode fazer e como combinar as novas peças. Esqueça a estação passada. Se o seu cabelo era comprido e cacheado.Que horror, ultrapassado! Pode ir cortando e fazendo chapinha. Nas unhas, tons coloridos, por favor. Jogue fora aqueles esmaltes clarinhos hoje mesmo. Aproveite e jogue também calças apertadas e bolsas muito grandes porque agora é a vez da cintura alta, calças largas tipo boyfriend e bolsas menores com correntes douradas. Ah, lembra das pavorosas ombreiras Didi Mocó dos anos 80? Pois é, elas também estão de volta! E você, mulher, vai ficar perdida achando que não tem mais nada para vestir ou que "precisa" daquele sapato novo amarelo fluor.

Eu gosto de moda, principalmente quando envolve sapatos e liquidações. Fugindo do lugar comum da futilidade, sempre pensei na moda mais como um elemento de expressão pessoal. Alguns se vestem para dizer que não estão nem aí. Outros, mais sóbrios, para mostrar que são tradicionais. Há aqueles que seguem tribos ou querem aparecer simplesmente. E até mesmo algumas pessoas se vestem para se tornarem invisíveis. Não importa, a vida requer um dress code. Aos poucos, no entanto, estou me despindo das regras e  visto o que tenho vontade e da forma como eu bem entendo. Eu me importo cada vez menos. Misturo estampas, prefiros saias e vestidos e não uso tênis. Discordo também do saudoso Yves Saint Laurent, o estilo não é eterno. Modismos, fetichismos, must-haves e descoladinhos me irritam. Passo longe da ditadura de Anna Wintour e "bíblias" como Vogue. Se um dia Coco Chanel fez vestidos para libertar a mulher, hoje a moda está praticamente contida em si mesma. Afinal, quem vai desembolsar mais de 500 reais por uma blusinha?

Por outro lado, ser você mesmo virou tendência. Há na web a proliferação de blogs de estilo pessoal em que o que importa é como gente comum combina o que tem no armário (bons exemplos: Sartorialist, What Katie Wore, Hoje vou assim, Rio Etc). Mais Jean Paul Gaultier do que Tom Ford, por favor. Para mim, moda é quem nem aquele slogan de cigarro nos anos 90: cada um na sua, mas com alguma coisa em comum.


p.s.: As cenas 1 e 2 são, respectivamente, dos documentários "Tom Ford: o rei da irreverência" e "O dia anterior" exibidos recentemente pelo canal GNT. Para quem ficou curioso, vai aí o Gaultier. O desfile homenageia as divas do cinema, dá para tentar adivinhar quais aparecem. Ah, só para esclarecer, a alta costura é um padrão de produção de roupas patenteado na França de forma artesanal, ou seja, as roupas são feitas à mão!





sábado, 23 de janeiro de 2010

Amar e temer

Sou acostumada a mudança e temo a estabilidade.
Mudança em todos os termos, desde emocionais a literais. Agora mesmo estou novamente em processo de mudança de casa o que tem me gerado certa angustia, mas nada comparado ao que certas/os amigas/os relatam sentir quando são forçadas/os a lidar com algo dessa magnitude.
O engraçado é que essa história de 30 anos é onipresente. Em todos os meus sentires e em todos os meus modos de encarar a vida, está ali os 30 sobrepairando.... Pois é. Ele chegou. Precisamente, a uma semana. Veio com força...!
Soube que precisaria mudar de meu atual apartamento e tive de encarar a dura realidade de que aos 30 ainda não tenho um bom contrato de aluguel, ou um bom salário, ou um relacionamento, ou um emprego com carteira assinada. Não tenho qualquer estabilidade.
Há quase quatro anos minha vida gira em torno dos semestres. De seis em seis meses uma crise sobre onde resido e o porquê da minha escollha. Sobre onde e o que farei nos seis meses seguintes.
Por outro lado, há alguma coisa na minha vida que é extremamente estável e da qual me orgulho: pessoas. Sou do tipo que gosto de estar presente na vida de todos da família (e olha q “a família” é grande e di-ver-si-fi-ca-da), mas fico feliz por ser aquela que sei os segredos, que gosta de estar presente. Essa semana minhas irmãs passaram comigo aqui na minha cidade. Tivemos oportunidade de fazer inúmeros passeios e de me provar o quanto sou capaz de cuidar daqueles que amo. Minhas amizades seguem o mesmo trajeto. Alguns estão comigo há mais de 10 anos; outros foram agregando trajetórias há 8, 7, 3, 2 anos ou menos. Mas tem sido uma somatória e não um jogo de substituições.
Uma vez fui a um terapeuta (eu tenho problemas confessos com terapeutas, embora tenha consulta marcada para uma nova em início do próximo mês) e nos primeiros cinco minutos comecei contando da minha trajetória profissional e como tinha chegado a cidade na qual estou. Mal terminei de falar e ele fez um perfil rápido sobre como eu deveria negligenciar relações pessoais (famílias, amigos, namoro) em prol dessa minha ambição profissional. (Esse é o meu primeiro problema com terapeutas: deduções rápidas à lá Marie Claire.)
Quando ele terminou, disse-lhe que ele não poderia estar mais errado. Eu gosto de ir ao samba e de estar presente quando alguém está na fossa. Sou capaz de parar um trabalho para escutar minha irmã falar do namoradinho e depois ter de ficar acordada p finalizar o trabalho. Não digo isso para provar que sou uma boa pessoa, apenas, apresento um gosto pessoal. Não gosto de animais de estimação, nem de cuidar de flores, ou usar bege, o que impossibilitaria o papel de mocinha em qualquer filme ou novela.*
Mas, voltando às pessoas da minha vida. Pensei em falar disso tudo pq expus no comentário ao post da Maria que não amo, mas não é verdade. Amo extrema e intensamente, família, amigos, amigas. Há inclusive estabilidade no meu querer pelos outros.
Só me falta o amor romântico. Não que jamais tenha amado. Estabilidade é que não faz parte desse cenário. Tendo a achar explicações racionais e “psicologizáveis” do tipo “tenho medo de me entregar completamente”, “procuro pessoas complicadas pq é mais fácil me defender de histórias improváveis do que daquelas que parecem tendentes ao sucesso”.
Então, olho para Mafalda e seu marido. Todas as teorias vão abaixo. O amor deles sempre foi inato, orgânico. Eles não racionalizaram, nem tentaram resistir. Não que nunca tivessem tentado estas estratégias antes. Mas, entre eles só restava sucumbir ao tal sentimento. Meu lado romântico aflora desmesuradamente.... Penso que ainda não achei uma estabilidade nesse campo pq a pessoa que me fará sentir tudo isso ainda não surgiu, ou se surgiu não me viu ou eu não a vi...
Aos 30, ainda não enxergo limpidamente, nem tenho respostas para tais angústias. Aos 15, tinha toda a certeza do mundo de que minha vida estaria resolvida nessa época. Me vejo como uma pessoa melhor agora, então, talvez as incertezas não sejam de todo ruim. Talvez sejam apenas o reflexo de ser alguém que questiona, talvez seja apenas a prova de que saturno ainda não se foi, continua rondando por aqui. Vai saturno, vai...!!!! Me espera lá nos 56!! Me dá uma trégua, saturno!
Ai, gente, sei que essa música é muito deprê e o post nem é tão dramático assim. Além do mais, só a primeira parte corresponde ao tema do post, porém eu a adoro e só ela veio à mente após a escrita:

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Amar, verbo (in)transitivo

Confesso que amo. Mais: confesso que amo o homem que dorme ao meu lado todas as noites e que apresento como marido. Em tempos de descrença, amar é tão fora de moda…

Minha geração não acredita em nada: Deus, religião, perspectiva política, utopias, amor… tudo isso parece uma tolice sem tamanho.

As utopias eu nunca deixei, apesar de muitas vezes doer lutar por um mundo melhor – e acreditar que ele seja possível – em meio a tanto cinismo. Isso pra mim significa amar a humanidade. Essa experiência diz respeito a um amar, verbo intransitivo: amar simplesmente, independente do objeto amado. Assim, ainda me indigno com coisas há muito banalizadas… graças a Deus.

É, acho que apesar de negar ou “duvidar” que eu acredite, ainda acredito em Deus ou em um mistério da existência, a dimensão sagrada do que é inexplicável dentro de uma racionalidade lógica. Para uma pessoa auto-controladora como eu, explicar e racionalizar são palavras de ordem. Perceber que estava inegavelmente apaixonada de forma perturbadora, à la Florbela Espanca em “Fanatismo”, foi assim como viver minha própria experiência mística: há algo de sagrado, de inexplicável, de arrebatador nesse mundo… e eu tenho pouquíssimo controle sobre isso. Amar é um tremendo exercício de fé no outro, de que você está se entregando e confia nas intenções da pessoa amada de cuidar do seu coração tanto quanto você quer cuidar do dela. Essa experiência de amar pra mim se dá como verbo transitivo: há um ano, amo um homem cuja alma me parece imensa.

Porém, como parte de uma geração que acredita pouco, nem sempre dá pra falar de amar sem se sentir outsider e perceber a descrença alheia. Eu também já fui assim, então entendo. Amar, ao contrário do senso comum, é uma experiência socialmente solitária quando se está na geração dos quase 30 anos.

Fagner e Zeca Baleiro cantando a poesia de Florbela Espanca musicada por Fagner: "Tudo no mundo é frágil, tudo passa..." Quando me dizem isso toda graça de uma boca divina fala em mim, olhos postos em ti digo de rastros: podem voar mundos, morrer astros, que tu és como um Deus, princípio e fim!


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O inominável


Chegar mais perto de algum tipo de maturidade incorpora mais do que algumas rugas ou preocupações. Há em mim a instalação gradual de algum tipo de ranzinzice juntamente com alguma amargura. No fundo, pouca coisa me surpreende agora e isso faz falta. Férias, sol e os indícios do futuro que estão todos lá, fáceis demais de serem lidos. Para as bebedeiras, ressaca. Para os amores, ressaca. É assim, como foi decidido. Os sorrisos e conversas e a próxima música a ser tocada no violão. E, claro, o refrão que eu já conheço. Quem precisa saber ler as cartas de tarô quando a neurose alheia me diz tudo o que eu preciso saber? Não obstante, o auto-conhecimento que leva ao labirinto de mim mesma invariavelmente traz o sarcasmo e o ceticismo. Eu vi o segundo filme da saga Crepúsculo e ri em todos os momentos errados, tamanho o meu veneno. Não é que eu não ame, pelo contrário. Agora eu amo de uma forma cada vez mais límpida, mais rica e maior. Talvez por isso me reste tão pouca coisa. Muito pouco se propõe a ser construído sobre fundações duradouras de concreto. E talvez por isso eu tenha perdido muito da minha fé nas pessoas. Nobody ever changes, diria o guru dr. House. Não há mesmo surpresas. Ao final é só uma questão de salvar os sobreviventes do furacão ou os móveis que restaram da enchente. Apesar da profusão de sentimentos inominados, não é de tristeza ou descrença que falo. É só a saudade que sinto de acreditar em virar a esquina, destino, bola de cristal e mensagens de texto sinceras de madrugada. E a constatação de que as pessoas são insanas. E, como bem observou Einstein, insanidade é fazer as mesmas coisas repetidas vezes esperando obter resultados diferentes.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Ando tão à flor da pele…

Felizmente nenhum beijo de novela me faz chorar porque não vejo novela.* Mas se visse, chorava.

Não sei quanto às outras mulheres, mas sinto que minha TPM só piora com a idade. Choro, geralmente à noite. Digo coisas duras, geralmente a quem amo.

Tá, tô desempregada há uma semana, não consigo achar ar condicionado pra comprar apesar da sensação térmica de 50 graus no Rio, uma pessoa muito querida tem um problema de saúde grave… marido diz que estou sendo exigente demais comigo mesma, apesar de concordar que tenho estado arisca.

SEMPRE fui muito exigente comigo mesma. Costumo dizer que fui uma adolescente adulta: irmã mais velha; primeiro beijo, quase 15; nenhuma reprovação na escola ou faculdade; só comecei a beber aos 19... É um currículo permeado de neuroses de todos os tipos.

O processo de me tornar uma mulher adulta foi de transgressão, de me tornar uma adulta adolescente. Ainda sou pouco desvairada, mas sou definitivamente uma pessoa mais leve. Ok, os quilinhos a mais. Ok, beber, pagar mico, ficar de ressaca. Ok, não me casar de branco. Ok, ganhar menos que a maioria dos meus amigos. Ok, alguns pecadinhos.

A TPM foi meu termômetro, no entanto. Ainda sou muito dura comigo. Ainda quero ser mulher-maravilha. Viajo o mundo a trabalho (literalmente os cinco continentes no último ano e meio), mas considero fundamental ter mais tempo em casa, cozinhar com marido, ler a Piauí juntos. Tenho a oportunidade de defender minhas visões políticas em lugares que jamais imaginei… e quando vejo marido dormir, percebo que desisti da idéia de não ter filho. Quero ter um filho um dia com a cara dele, quero ir à Bolívia de Morales, quero aprender italiano, quero poder alugar um apartamento maior (porque num quarto e sala todo problema aumenta)…

No filme Annie Hall, o personagem de Woody Allen começa dizendo que a vida dele é como aquela velha história de que “eu não gostaria de fazer parte de nenhum clube que me aceite como membro”. Tenho me sentido assim. Essa insatisfação até que me move e pode me levar a algum lugar interessante. No momento, ela tá me enchendo o saco. Posso terminar esse post sem uma mensagem de "dias melhores virão"? Ao menos, há boa arte no mundo pra gente viver melhor os dias cinzas. Duas delícias abaixo (desculpem a falta de legendas).

* Não ver novela é fruto de brava resistência rara hoje em dia daí meu orgulho em afirmar…





domingo, 10 de janeiro de 2010

Ser, ter, suceder...!!!

Quem nunca foi apresentada a alguém e em menos de 10 segundos ouviu a fatídica pergunta: o q vc faz? No mundo adulto, o q vc faz, ou seja, sua profissão equivale a perguntar o que vc é?
Já te tive vontade de responder: “faço corrida quando não tenho preguiça de acordar, boas comidas quando tenho tempo, sexo quando tenho companhia” e vc?

Mas, não dá, né?

Normalmente, em menos de um minuto vc se vê compelida a desvelar todo o seu currículo para o/a interlocutor/a e muitas vezes já foi obrigada a saber também todas as referências dele/a.

Certas respostas vêm junto com uma aura de poder e dinheiro. Outras com intelecto, sapiência.
Outras tantas com desprezo e até uma certa piedade.


Confesso que essa é mais umas das respostas que tenho dificuldade de responder. Especialmente, quando ela parte de um derivativo no qual a pessoa expõe sua profissão e logo após pergunta na bucha o que você é...


Certa vez dei uma resposta tão cumprida que a pessoa que havia me perguntado, resumiu por conta própria com o qualificativo que menos me agrada e publicou. Fazer o q...


Mas, a questão é: esse ano, não posso como escapar dessa pergunta. Nem da mensuração do valor da minha escolha pelo mercado.


Quem opta por terminar a graduação e ingressar em cursos acadêmicos obtém a prorrogação dessa definição por 02 ou 06 anos.
* Eu a obtive por seis. Não há mais como fugir.

Tenho dito que o reflexo da minha maturidade é que com toda a pressão das definições que 2010 me obriga a ter ainda to conseguindo manter certa serenidade (estou até fazendo regime!).


Mas, não é fácil.


Isso tudo me mostra o quão corajosa é a atitude da minha amiga Mafalda!! Eita muié de fibra!!


Tenho resmungado muito com uma das minha melhores amigas que as vezes ainda sinto-me pouco adulta. Ainda não tenho estabilidade profissional, financeira, emocional. Não tenho filhos, nem relacionamentos.


Por outro lado, sei que não vivo numa rede opressora de segurança. Arco com minha vida e minhas escolhas. Vivo com amigos, pago minhas contas, tenho um bom currículo.


Me relaciono por amor, não por estabilidade.


Mas, por mais autônoma e independente que eu seja (ou queria ser) não posso fugir do mundo, tenho de lidar com ele. Responder questionamentos e tomar decisões.


2010 é o ano.


Ou viro adulta ou abóbora.


Muitos acreditam que irei suceder. Outros secretamente torcem para eu fracassar. Eu sempre fui ambiciosa, mas, sendo razoavelmente adulta, sei que o resultado não depende só de mim.


E agora, Maria? E agora, Mafalda? E agora, galera? Para onde?


*
Em compensação passa 06 anos na maior pindaíba, enquanto observa os/as amigos adquirirem estabilidade financeira.

"Posso não saber o que o futuro me apronta/Mas garanto que aprendi a nem ligar pro que não conta..." Mais uma vez Anna Ratto:

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Valor de troca e valor de uso*

Trabalho há 1 ano e meio em uma ONG feminista e me considero muito mal remunerada, consideração frequentemente respondida por minha chefe com um “é o valor do mercado” difícil de tolerar. Há pouco mais de um mês, descobri que uma amiga que ocupa um cargo similar em uma organização parceira ganha quatro vezes o que ganho!! Ecoou ainda mais forte as perguntas que não calam em mim: Quanto valho pro mercado? Quanto valho pra minha chefe? Quanto valho pra mim mesma?

Essa semana, minha chefe respondeu à segunda pergunta: me disse com a maior naturalidade que não me pagaria um extra previamente acordado por uma consultoria que prestei. Em retorno, resolvi (começar a) responder à última pergunta: pedi demissão no dia seguinte.

Poucas dias marcam tanto minha vida adulta como esse. A gente vai assumindo responsabilidades crescentes de forma natural, quase sem perceber. Aí de repente acontecem uns marcos representativos do todo. Ano passado, no mês em que completei 28 anos, me casei e assinei o primeiro contrato de aluguel em meu nome. Apesar de ter saído da casa dos meus pais pela primeira vez aos 19 anos, foi um momento catártico: me dei conta de vez que minha vida adulta é agora. Em sua chegada em minha vida, Saturno não poupou em símbolos.

Pedir demissão e decidir viver temporariamente de consultorias, economia e seguro-desemprego/FGTS vai de encontro à minha mania de controle. Cheguei em casa quase de ressaca, num misto de alívio e “e agora??” Não foi bem um salto no escuro: tenho contatos e propostas de consultoria. Mas, filha de funcionários públicos, fui ensinada desde pequena a ter cautela e ser pragmática. Esse tipo de ousadia parecia não combinar com meu estilo... Só que eu tenho uma teoria sobre mim que falarei em outro post: fui uma adolescente adulta, agora estou me tornando uma adulta adolescente. Ousar combina mais comigo do que nunca.

E me perguntar o meu valor faz parte de um processo de auto-descoberta necessário. Infelizmente, em uma economia capitalista, até ONG segue a lógica do mercado. Nesse mundo, a gente não vale o que sabe e pode fazer. A gente vale o que o mercado determina. Falta então saber qual a resposta do mercado à primeira pergunta. Não outorgo com isso ao mercado o poder de determinar o valor de uso da minha força de trabalho. O quanto valho está muito além do entendimento que "o mercado" pode alcançar. Mas o valor de troca do meu trabalho, determinado pelo mercado, eu resolvi pagar pra ver. Não é que não tenha medo... minha coragem que é muito maior.

* Valor de troca e valor de uso são conceitos marxistas que exigem muito mais reflexão do que a contida aqui... usei portanto com bastante licença poética.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O primeiro anti-rugas a gente nunca esquece


Tudo começa na adolescência quando você compra aquele inocente creme para espinhas. Depois tudo vai evoluindo aos poucos e chegam o sabonete líquido e o tônico adstringente para limpar a pele. Ao final dos vinte anos você é apresentada a um vocabulário muito mais amplo nessa área: colágeno, vitaminas, peeling, ácidos. Tudo muito confuso.

E lá está você sentada folheando a revista de moda de três meses atrás e repassando mentalmente todas as dúvidas que vem te acompanhando nos últimos meses. Por que é que a gente sempre tem a sensação de que apenas uma simples visita ao dermatologista é insuficiente? Eu tenho a mania de esquecer sempre alguma coisa. Logo chamam seu nome e você se coloca de frente para a solícita médica de branco. Primeiro, as questões habituais: a oleosidade da minha pele de adolescente que ainda necessita de cuidados contra espinhas, a importância do hidratante, aquela fórmula ótima para esfoliar os pés, outra para evitar aquelas horrendas bolinhas no bumbum e cápsulas de betacaroteno. Tudo, claro, obviamente indispensável. De repente, lanço a pergunta:

- Doutora, bem... sabe o que é, eu ando trabalhando muito, tô sempre com olheiras, você não acha que é hora de usar algo para firmar os meus olhos? (A verdade é que não consigo me lembrar da última vez que tive coragem de sair sem corretivo de casa. Corretivo é vida. Corretivo da MAC, que fique bem claro).

A doutora olha no meu rosto e me pergunta:

- Quantos anos você tem?

- 26 (Ops, 26?! A primeira vez que eu menti a idade para menos!Foi tão sem querer, eu juro!)

A médica olha mais atentamente para o meu rosto passando os dedos sobre as minhas pálpebras e diz:

- Mas você ainda nem tem rugas!

Eu respiro aliviada com a avaliação da médica que, logo em seguida, põe o dedo em cima da minha olheira roxa e diz:

- Opa, tem umazinha aqui, sim. Vou te passar um creminho ótimo para os olhos.Claro que não adianta muito no longo prazo, quando começar a cair o pescoço, aí que não tem jeito mesmo. Mas, o creminho é bom, hidrata que é uma beleza.

Tento disfarçar meus olhos arregalados e penso: hidratar?! Creminho?! Não dá pra tirar isso agora, doutora? Eu tenho mesmo que me preocupar com isso? Por via das dúvidas você sai do consultório médico com uma lista de mais de dez "remedinhos" para comprar. É tudo ótimo, garantiu a doutora. Na farmácia, mediante o orçamento astronômico, você pensa: o que eu não posso deixar de comprar? Daí você lembra da ruga e vai direto na prateleira conferir aquele creminho para os olhos. Alarmada, você descobre que ele custa a bagatela de 150 reais e que o tubo não é maior do que o seu dedo indicador. Por 150 reais você esperava um milagre do rejuvenescimento e não uma mera hidrataçãozinha. Você se rende, afinal, melhor prevenir que remediar. Leva o tubinho anti-rugas minúsculo, divide tudo em três vezes no cartão de crédito e pensa com um suspiro quando é que você vai ter dinheiro para comprar o próximo. Por que ninguém ainda inventou o bolsa-cosmético?!

p.s.: para quem está atrás de produtos de beleza mais baratos e funcionais, este blog é ótimo: Vende na farmácia. Vai lá.


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Minha busca...!!

Maria foi a que mais se desnudou a princípio e acho que foi muito precisa. O essencial é que estamos sim passando pela crise do 30 e passamos por ela "remando contra a maré". Rejeitamos as soluções tradicionais. Buscamos respostas e não estabilidade. Não queremos casa na praia ou um salário altíssimo. Queremos felicidade, bem-querer e um mundo um pouquinho melhor...

Tenho visto a reprodução cada dia maior de modelo de relacionamento retrógrados nos quais as mulheres esperam encontrar um homem que as salve de si mesmas e do mundo. Não estou generalizando, há exceções e peculiaridades em tudo.

Mas, na minha própria família vejo como as mulheres têm de ser fortes e enfrentar a vida pq não acharam um cara para estar com. A partir do momento que o acham é como se tivessem achado a salvação e redenção. Se tornam quase virgens novamente. O passado no qual expressaram seus desejos mais livremente é escanteado. As atitudes passam a ser as mais conservadoras pq acharam um cara para as bancar (não estou falando de dinheiro, mas de vida).

Parte dessa espera se reflete no fato de que várias delas não conseguem sequer sair da casa dos pais. Mesmo com filhos de relacionamentos frustrados não conseguem montar uma casa para si.
Estão à espera do salvador.

Nós não somos melhores do que ninguém. Só pensamos diferente. Não somos adeptas de qualquer tipo de salvacionismo. Queremos alguém sim, mas para dividir a vida, formar parceria. Louvamos as conquistas do feminismo e rejeitamos qualquer tipo de prisão.

Particularmente, me recuso a qualquer papo calcinha no qual se discuta quanto tempo uma mulher deve esperar para dar para o cara que está interessada e assim garantir que ele a considere séria.

Me considero muito mais família do que muita gente por aí. Tento ser sempre presente para aqueles que amo e tento ser honesta em todas as minhas relações. Mas, com certeza não sou família para os padrões tradicionais. Não conto dias, semanas ou meses antes de dar para ninguém. Me recuso a ter um relacionamento no qual as relações não sejam o mais igualitárias possíveis de acordo com a personalidade de cada um. Não faço diferenciação de gênero na escolha de alguém. É não sou mesmo padrão FTP (família, tradição propriedade).

Não, não tenho um relacionamento no momento. Mas, não considero que seja esse o motivo. Já tive vários relacionamentos e sei que ainda terei outros tantos. Gostaria de encontrar alguém para partilhar grande parte da vida e fazer planos conjuntos. Não sei se vai acontecer, como ninguém sabe. Busco. Porém, essa busca não é o sentido da minha existência. Tenho objetivos profissionais e pessoais muito claros em 2010 e eles não dependem de parceria. Embora, assuma meu lado Susanita como nossa Mafalda e possa abertamente admitir que seria melhor com.

Continuando a séria a vida com trilha sonora é melhor, segue uma música perfeita para esse post, Renata Arruda Do Meu jeito (Frejat e Dulce Quental). Infelizmente não tem no you tube. Mas dá para escutar no site dela: http://www.renataarruda.com.br/musicas/umdooutro/meujeito.wma Pense! Tentei procurar ao menos a letra para postar e não acho de jeito nenhum. Então ouvi e reproduzo abaixo.

Do meu jeito
Para olhar o mundo do meu jeito
Para escolher as próprias ONGs
Para seguir o meu instinto
Vivo
Para viver...
Pq eu sou uma Dom-Quixote nadando contra a maré
Lampioa da estrela do norte
Brancaleone da fé
Eu me decifro e me devoro
(...)
Quero sempre o fruto proibido mesmo sem saber onde ele está

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Tic Tac

Eu não acredito em textos de apresentação porque não há como escapar da inevitável incompletude que os acompanham. Assim, por hora o que vocês precisam saber é que eu me chamo Maria Bercovitch, tenho 28 anos e sou uma exilada em terras cariocas. Nesse período o único parto que fiz foi o da minha própria tese de mestrado - que se prolongou por quase três anos. No final, é certo que toda mãe ama e amará seus filhos, mas é também certo que parir pelo cérebro pode ser muito mais complexo do que abrir as pernas no centro cirúrgico - com ou sem anestesia. Não casei, não tenho namorado, não tenho financiamento da Caixa Econômica para comprar casa própria, não passei em concurso público. Não parei ainda para pensar nisso ou naquilo.

À medida que eu e minhas amigas nos aproximamos dos 30, surgiu a ideia de escrever sobre o "retorno de Saturno". Como sempre gostei de bancar a esotérica auto-didata, já sabia algo sobre o assunto. Saturno é o planeta que eu menos gosto. Maléfico, seco e frio, Saturno rege a casa 10 do mapa astral que trata dos assuntos relacionados à vida profissional e o posicionamento do indivíduo perante o mundo. Saturno também está ligado a restrições e obstáculos, por isso a sua posição no mapa astral mostra quais os desafios que a pessoa tem que enfrentar para o crescimento e evolução pessoal, ou seja, o “karma”. Lidar com o que traz este planeta requer trabalho, luta e muita disciplina. E, claro, sabedoria para fazer as escolhas certas. Saturno é um planeta muito lento e sua volta completa pelo zodíaco dura cerca de 30 anos. Nesse retorno ao ponto inicial, as perguntas colocadas por Saturno são: o que você tem feito da sua vida? Quais caminhos você escolheu? Você está enfrentando ou fugindo?

A explicação sobre as movimentações de Saturno não me convenceram por completo. Afinal, a vida é minha e quem Saturno pensa que é para vir me cobrar qualquer coisa? Inspetor de colégio para me deixar de castigo? Meu chefe para me demitir? Pesquisando mais a fundo – porque eu sou uma das devotas do Google – li que Saturno é o deus romano da agricultura, justiça e força. Equivale a Cronos na mitologia grega. Cronos era um dos titãs filho de Urano, o céu, e Gaia, a terra. A pedido de sua mãe, castrou seu pai com uma foice e se tornou senhor dos céus. Casou-se com sua irmã e teve seis filhos. Porém, seu reinado era ameaçado por uma profecia de que um de seus filhos o destronaria. Cronos, então, comeu todos os seus filhos, exceto Zeus (Júpiter) que foi salvo por sua mãe. Zeus quis vingar-se de seu pai e pediu ajuda de Metis – a Prudência. Metis ofereceu uma poção mágica a Cronos que o fez vomitar os filhos que havia devorado. Zeus tornou-se senhor dos céus e baniu o pai. Cronos, exilado na Terra, passou a ensinar sua sabedoria aos homens e seu reinado ficou conhecido como a idade de ouro por conta da prosperidade. A moral da história é meio óbvia: Cronos - o tempo - a tudo destroi, não se sacia apenas dos anos e consome todos aqueles que passam. Para o tempo, é preciso prudência. Conta-se ainda que Zeus quis conter o tempo e submeteu-o ao curso dos astros que são os laços que o prendem.

A história de Cronos me fez entender finalmente o sentido de Saturno. Este blog para mim é sobre o tempo, sobre um período da vida em que de fato o tempo passa a ser uma variável importante. Não se é mais criança ou adolescente, mas adultos que devem decidir o que fazer de suas vidas. Concretizar é o grande desafio. Não há como fugir ou evitar o tempo. A visita de Saturno acontece ao som de um tic tac ensurdecedor. Aos vinte anos estamos todos na Terra do Nunca na companhia de Peter Pan e de repente, em uma emboscada, surge o crocodilo Tic Tac com o inconfundível despertador em seu estômago.

Saturno é regente de Capricórnio, o signo de dezembro - mês da entrada do ano novo. É o tempo de plantar, semear com responsabilidade. Quem você quer ser: o velho tirano infanticida ou o velho sábio? A fase final da vida de Cronos ensina que a responsabilidade e a sabedoria são libertadoras. Em 2010 eu me aproximo mais dos trinta e mais de Saturno. Ainda não comprei uma bicicleta ou adotei um gato, mas abri o ano na companhia do mais novo livro do Rubem Fonseca. Ao som de tic tac, certamente 2010 será um ano fantástico.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Sobre listas e necessidade de controle

Sempre adorei fazer listas: de compras, de tarefas, de filmes que quero baixar, de CDs que quero gravar, de questões a resolver antes de uma viagem grande, do que colocar na mala, de lugares a visitar...

Nada surpreendente que eu goste tanto de listas afinal sou obsessiva. As listas acalmam as neuroses. Dão uma noção de perspectiva e uma sensação de que estou no controle. Controle. Por que alguem acredita por um segundo sequer que esse controle exista?

Só que levou um tempinho pra eu me dar conta disso… quem faz listas com tanto prazer considera este um ato absolutamente normal. Eu tenho inclusive fiéis companheiros da arte de fazer lista! Eu e minha irmã costumávamos sentar pra fazer listas juntas antes de uma viagem ou projeto comum. Um dos meus melhores amigos é fanático por listas. Já fizemos inúmeras listas em guardanapos em mesa de boteco. Teve uma inclusive, em janeiro de 2009, em que debatemos “cinco coisas que meu próximo peguete tem que ter”. Dias depois, meu “próximo peguete” excedeu as qualidades exigidas em minha lista de então e veio a se tornar meu marido oito meses depois. Necessidade pouca de controle é bobagem…

Aliás, o derradeiro peguete – que recusou-se solenemente a ser só frenesi e virou marido – ao perceber as propriedades calmantes que as listas têm sobre mim, volta e meia faz alguma comigo, especialmente durante a TPM… esse homem é um sábio, acima de tudo.
O que considero mais grave é que não faço só lista de obrigação, mas de prazer também. Recentemente marido me ajudou a fazer a lista de atividades que faríamos nas férias de fim de ano. É que como decidimos ficar no Rio pra curtir nossa casinha nova, fiquei obsessiva com a idéia de que acabaríamos fazendo as mesmas coisas de sempre por não trocar de ambiente. A lista foi uma espécie de monitoramento pra que a gente não ficasse na cama o dia inteiro, deixando o verão sempre pra mais tarde…

É difícil lutar contra fazer listas, afinal elas quase sempre funcionam comigo: me acalmam e me deixam com a impressão de que tenho tudo sob controle. Tenho noção dos perigos dessa falsa impressão, vide minha assuidade na análise. Mas enquanto eu estiver substituindo ansiolíticos por listas, acho que o saldo é positivo…

O importante é não perder de vista a lição que aprendi a duras penas com as vicissitudes da vida: a sensação de controle é falsa. Citar a analista é lugar-comum, mas a mulher é boa e resolvi dar o crédito: ela me falou da dificuldade de lidar com o buraco negro da vida, o inesperado e imprevisto que sempre há. Mas isso é tema graaaaaande pra outro dia.

Por ora, sigo com minhas listinhas, afinal novo ano implica em resoluções… estudar pra entrar no doutorado, emagrecer, convidar os amigos pra jantar comidinhas gostosas feitas por moi-même, ler Lewis Carroll antes do filme do Tim Burton estrear… como toda mulher, sofro da síndrome de Mulher-Maravilha, acho que posso fazer de um tudo, mas isso também é assunto pra outro papo.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

À que viemos...??!!

"Entre os 28 e 30 anos de idade, ocorre o primeiro retorno de Saturno, ou seja, o planeta em trânsito se posicionará no mesmo local em que ele estava no momento de nascimento da pessoa e iniciará uma nova volta em torno do zodíaco. Novamente, como em todo trânsito de Saturno, ocorre um doloroso rito de passagem, envolvendo responsabilidades, desta vez maiores do que nunca. A partir deste período, muitas coisas que antes eram parte de uma gama de opções se tornam definitivas. É o momento de determinar o que vai dar impulso aos próximos 28 anos e tudo o que é decidido tem sua repercussão e conseqüência."*

Não temos todas 30 anos. Estamos entre um e outro pólo e saturno está girando. Particularmente, nem sei se acredito em astrologia. Mas, não posso negar que tenho tido anos cada vez mais reflexivos. Pode ser culpa de Saturno ou não. Mas, decidimos quer era hora de realizar uma catarse coletiva e pública das angústias que o período tem nos trazido. Pseudonimamente, poderemos expor sem timidez. Quem nos conhece na intimidade sabe que não somos dadas a amarras. A não ser num uso bem específico, entre duas pessoas... Aí dá para cogitar, não é?

Particularmente, acho que Saturno ainda não chegou ao ponto final desse primeiro ciclo na minha existência. Embora, os 30 estejam batendo em minha porta em poucos dias, ainda não tenho certezas e definições. Pelo que entendi, era isso que deveria ocorrer no fim do ciclo. Maria B. entende muito mais de astrologia e pode me retrucar.

Já tive muitas certezas. Hoje, a dúvida me acompanha. Engraçadamente, hoje sou mais serena que ontem. Uns dizem que é maturidade. Penso que é a experiência refletida. Gosto de imaginar que não sou o tipo de pessoa que vive autonomamente um caminho linear. Mas, apaixonada e titubiantemente um caminho cheio de reentrâncias.

2010 me traz dúvidas de toda ordem e de alta intensidade; geográficas, sentimentais, profissionais, pessoais. Não posso dizer que estou imune a elas e vivo tranqüila. Estou mais serena, mas não indiferente. Sou uma entusiasta da vida e da ação! Para mim, tristeza, dúvida, angústia, são parte essencial do desenvolvimento.

Entretanto, hoje é dia 01 e não quero falar de dor. Há sol. Há gente querida. Há amor. Há uma impetuosa esperança num ano esplêndido, vibrante e melhor. Não só para mim, mas para todos e todas quanto seja possível. Que venha 2010 e comecem a exposição pública dos nossos pecados e virtudes!!!

* Trecho retirado do site Porto do Céu.

A vida com trilha sonora é sempre melhor, para esse período recomendo Anna Luisa (ou Anna Ratto, sei lá pq ela mudou de nome) com a música cabra-cega.