Sou acostumada a mudança e temo a estabilidade.
Mudança em todos os termos, desde emocionais a literais. Agora mesmo estou novamente em processo de mudança de casa o que tem me gerado certa angustia, mas nada comparado ao que certas/os amigas/os relatam sentir quando são forçadas/os a lidar com algo dessa magnitude.
Mudança em todos os termos, desde emocionais a literais. Agora mesmo estou novamente em processo de mudança de casa o que tem me gerado certa angustia, mas nada comparado ao que certas/os amigas/os relatam sentir quando são forçadas/os a lidar com algo dessa magnitude.
O engraçado é que essa história de 30 anos é onipresente. Em todos os meus sentires e em todos os meus modos de encarar a vida, está ali os 30 sobrepairando.... Pois é. Ele chegou. Precisamente, a uma semana. Veio com força...!
Soube que precisaria mudar de meu atual apartamento e tive de encarar a dura realidade de que aos 30 ainda não tenho um bom contrato de aluguel, ou um bom salário, ou um relacionamento, ou um emprego com carteira assinada. Não tenho qualquer estabilidade.
Há quase quatro anos minha vida gira em torno dos semestres. De seis em seis meses uma crise sobre onde resido e o porquê da minha escollha. Sobre onde e o que farei nos seis meses seguintes.
Por outro lado, há alguma coisa na minha vida que é extremamente estável e da qual me orgulho: pessoas. Sou do tipo que gosto de estar presente na vida de todos da família (e olha q “a família” é grande e di-ver-si-fi-ca-da), mas fico feliz por ser aquela que sei os segredos, que gosta de estar presente. Essa semana minhas irmãs passaram comigo aqui na minha cidade. Tivemos oportunidade de fazer inúmeros passeios e de me provar o quanto sou capaz de cuidar daqueles que amo. Minhas amizades seguem o mesmo trajeto. Alguns estão comigo há mais de 10 anos; outros foram agregando trajetórias há 8, 7, 3, 2 anos ou menos. Mas tem sido uma somatória e não um jogo de substituições.
Uma vez fui a um terapeuta (eu tenho problemas confessos com terapeutas, embora tenha consulta marcada para uma nova em início do próximo mês) e nos primeiros cinco minutos comecei contando da minha trajetória profissional e como tinha chegado a cidade na qual estou. Mal terminei de falar e ele fez um perfil rápido sobre como eu deveria negligenciar relações pessoais (famílias, amigos, namoro) em prol dessa minha ambição profissional. (Esse é o meu primeiro problema com terapeutas: deduções rápidas à lá Marie Claire.)
Quando ele terminou, disse-lhe que ele não poderia estar mais errado. Eu gosto de ir ao samba e de estar presente quando alguém está na fossa. Sou capaz de parar um trabalho para escutar minha irmã falar do namoradinho e depois ter de ficar acordada p finalizar o trabalho. Não digo isso para provar que sou uma boa pessoa, apenas, apresento um gosto pessoal. Não gosto de animais de estimação, nem de cuidar de flores, ou usar bege, o que impossibilitaria o papel de mocinha em qualquer filme ou novela.*
Mas, voltando às pessoas da minha vida. Pensei em falar disso tudo pq expus no comentário ao post da Maria que não amo, mas não é verdade. Amo extrema e intensamente, família, amigos, amigas. Há inclusive estabilidade no meu querer pelos outros.
Só me falta o amor romântico. Não que jamais tenha amado. Estabilidade é que não faz parte desse cenário. Tendo a achar explicações racionais e “psicologizáveis” do tipo “tenho medo de me entregar completamente”, “procuro pessoas complicadas pq é mais fácil me defender de histórias improváveis do que daquelas que parecem tendentes ao sucesso”.
Então, olho para Mafalda e seu marido. Todas as teorias vão abaixo. O amor deles sempre foi inato, orgânico. Eles não racionalizaram, nem tentaram resistir. Não que nunca tivessem tentado estas estratégias antes. Mas, entre eles só restava sucumbir ao tal sentimento. Meu lado romântico aflora desmesuradamente.... Penso que ainda não achei uma estabilidade nesse campo pq a pessoa que me fará sentir tudo isso ainda não surgiu, ou se surgiu não me viu ou eu não a vi...
Aos 30, ainda não enxergo limpidamente, nem tenho respostas para tais angústias. Aos 15, tinha toda a certeza do mundo de que minha vida estaria resolvida nessa época. Me vejo como uma pessoa melhor agora, então, talvez as incertezas não sejam de todo ruim. Talvez sejam apenas o reflexo de ser alguém que questiona, talvez seja apenas a prova de que saturno ainda não se foi, continua rondando por aqui. Vai saturno, vai...!!!! Me espera lá nos 56!! Me dá uma trégua, saturno!
Ai, gente, sei que essa música é muito deprê e o post nem é tão dramático assim. Além do mais, só a primeira parte corresponde ao tema do post, porém eu a adoro e só ela veio à mente após a escrita:
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