Confesso que amo. Mais: confesso que amo o homem que dorme ao meu lado todas as noites e que apresento como marido. Em tempos de descrença, amar é tão fora de moda…
Minha geração não acredita em nada: Deus, religião, perspectiva política, utopias, amor… tudo isso parece uma tolice sem tamanho.
As utopias eu nunca deixei, apesar de muitas vezes doer lutar por um mundo melhor – e acreditar que ele seja possível – em meio a tanto cinismo. Isso pra mim significa amar a humanidade. Essa experiência diz respeito a um amar, verbo intransitivo: amar simplesmente, independente do objeto amado. Assim, ainda me indigno com coisas há muito banalizadas… graças a Deus.
É, acho que apesar de negar ou “duvidar” que eu acredite, ainda acredito em Deus ou em um mistério da existência, a dimensão sagrada do que é inexplicável dentro de uma racionalidade lógica. Para uma pessoa auto-controladora como eu, explicar e racionalizar são palavras de ordem. Perceber que estava inegavelmente apaixonada de forma perturbadora, à la Florbela Espanca em “Fanatismo”, foi assim como viver minha própria experiência mística: há algo de sagrado, de inexplicável, de arrebatador nesse mundo… e eu tenho pouquíssimo controle sobre isso. Amar é um tremendo exercício de fé no outro, de que você está se entregando e confia nas intenções da pessoa amada de cuidar do seu coração tanto quanto você quer cuidar do dela. Essa experiência de amar pra mim se dá como verbo transitivo: há um ano, amo um homem cuja alma me parece imensa.
Porém, como parte de uma geração que acredita pouco, nem sempre dá pra falar de amar sem se sentir outsider e perceber a descrença alheia. Eu também já fui assim, então entendo. Amar, ao contrário do senso comum, é uma experiência socialmente solitária quando se está na geração dos quase 30 anos.
Fagner e Zeca Baleiro cantando a poesia de Florbela Espanca musicada por Fagner: "Tudo no mundo é frágil, tudo passa..." Quando me dizem isso toda graça de uma boca divina fala em mim, olhos postos em ti digo de rastros: podem voar mundos, morrer astros, que tu és como um Deus, princípio e fim!
Minha geração não acredita em nada: Deus, religião, perspectiva política, utopias, amor… tudo isso parece uma tolice sem tamanho.
As utopias eu nunca deixei, apesar de muitas vezes doer lutar por um mundo melhor – e acreditar que ele seja possível – em meio a tanto cinismo. Isso pra mim significa amar a humanidade. Essa experiência diz respeito a um amar, verbo intransitivo: amar simplesmente, independente do objeto amado. Assim, ainda me indigno com coisas há muito banalizadas… graças a Deus.
É, acho que apesar de negar ou “duvidar” que eu acredite, ainda acredito em Deus ou em um mistério da existência, a dimensão sagrada do que é inexplicável dentro de uma racionalidade lógica. Para uma pessoa auto-controladora como eu, explicar e racionalizar são palavras de ordem. Perceber que estava inegavelmente apaixonada de forma perturbadora, à la Florbela Espanca em “Fanatismo”, foi assim como viver minha própria experiência mística: há algo de sagrado, de inexplicável, de arrebatador nesse mundo… e eu tenho pouquíssimo controle sobre isso. Amar é um tremendo exercício de fé no outro, de que você está se entregando e confia nas intenções da pessoa amada de cuidar do seu coração tanto quanto você quer cuidar do dela. Essa experiência de amar pra mim se dá como verbo transitivo: há um ano, amo um homem cuja alma me parece imensa.
Porém, como parte de uma geração que acredita pouco, nem sempre dá pra falar de amar sem se sentir outsider e perceber a descrença alheia. Eu também já fui assim, então entendo. Amar, ao contrário do senso comum, é uma experiência socialmente solitária quando se está na geração dos quase 30 anos.
Fagner e Zeca Baleiro cantando a poesia de Florbela Espanca musicada por Fagner: "Tudo no mundo é frágil, tudo passa..." Quando me dizem isso toda graça de uma boca divina fala em mim, olhos postos em ti digo de rastros: podem voar mundos, morrer astros, que tu és como um Deus, princípio e fim!
2 comentários:
Ainda não amo.
Entre a descrença e a crença, oscilo.
Mas, seu texto me deixa sem palavras.
Por isso, segue Florbela em homenagem a esse amor de que falas:
Fanatismo
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”
Resolvi colocar a poesia pq as versões musicadas no youtube ninguém merece.
"Eu amo", precisa mais do que isso? Concordo que o amor anda fora de moda. Nada como ir contra a corrente :)
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