Felizmente nenhum beijo de novela me faz chorar porque não vejo novela.* Mas se visse, chorava.
Não sei quanto às outras mulheres, mas sinto que minha TPM só piora com a idade. Choro, geralmente à noite. Digo coisas duras, geralmente a quem amo.
Tá, tô desempregada há uma semana, não consigo achar ar condicionado pra comprar apesar da sensação térmica de 50 graus no Rio, uma pessoa muito querida tem um problema de saúde grave… marido diz que estou sendo exigente demais comigo mesma, apesar de concordar que tenho estado arisca.
SEMPRE fui muito exigente comigo mesma. Costumo dizer que fui uma adolescente adulta: irmã mais velha; primeiro beijo, quase 15; nenhuma reprovação na escola ou faculdade; só comecei a beber aos 19... É um currículo permeado de neuroses de todos os tipos.
O processo de me tornar uma mulher adulta foi de transgressão, de me tornar uma adulta adolescente. Ainda sou pouco desvairada, mas sou definitivamente uma pessoa mais leve. Ok, os quilinhos a mais. Ok, beber, pagar mico, ficar de ressaca. Ok, não me casar de branco. Ok, ganhar menos que a maioria dos meus amigos. Ok, alguns pecadinhos.
A TPM foi meu termômetro, no entanto. Ainda sou muito dura comigo. Ainda quero ser mulher-maravilha. Viajo o mundo a trabalho (literalmente os cinco continentes no último ano e meio), mas considero fundamental ter mais tempo em casa, cozinhar com marido, ler a Piauí juntos. Tenho a oportunidade de defender minhas visões políticas em lugares que jamais imaginei… e quando vejo marido dormir, percebo que desisti da idéia de não ter filho. Quero ter um filho um dia com a cara dele, quero ir à Bolívia de Morales, quero aprender italiano, quero poder alugar um apartamento maior (porque num quarto e sala todo problema aumenta)…
No filme Annie Hall, o personagem de Woody Allen começa dizendo que a vida dele é como aquela velha história de que “eu não gostaria de fazer parte de nenhum clube que me aceite como membro”. Tenho me sentido assim. Essa insatisfação até que me move e pode me levar a algum lugar interessante. No momento, ela tá me enchendo o saco. Posso terminar esse post sem uma mensagem de "dias melhores virão"? Ao menos, há boa arte no mundo pra gente viver melhor os dias cinzas. Duas delícias abaixo (desculpem a falta de legendas).
* Não ver novela é fruto de brava resistência rara hoje em dia daí meu orgulho em afirmar…
1 comentários:
Annie Hall é um dos meus filmes preferidos! Woody Allen é mesmo o cineasta que tem mais a ver com as questões balzaquianas. Neuroses, relacionamentos, dramas familiares e muita psicanálise - mas tudo com bom humor, claro.
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