quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O primeiro anti-rugas a gente nunca esquece


Tudo começa na adolescência quando você compra aquele inocente creme para espinhas. Depois tudo vai evoluindo aos poucos e chegam o sabonete líquido e o tônico adstringente para limpar a pele. Ao final dos vinte anos você é apresentada a um vocabulário muito mais amplo nessa área: colágeno, vitaminas, peeling, ácidos. Tudo muito confuso.

E lá está você sentada folheando a revista de moda de três meses atrás e repassando mentalmente todas as dúvidas que vem te acompanhando nos últimos meses. Por que é que a gente sempre tem a sensação de que apenas uma simples visita ao dermatologista é insuficiente? Eu tenho a mania de esquecer sempre alguma coisa. Logo chamam seu nome e você se coloca de frente para a solícita médica de branco. Primeiro, as questões habituais: a oleosidade da minha pele de adolescente que ainda necessita de cuidados contra espinhas, a importância do hidratante, aquela fórmula ótima para esfoliar os pés, outra para evitar aquelas horrendas bolinhas no bumbum e cápsulas de betacaroteno. Tudo, claro, obviamente indispensável. De repente, lanço a pergunta:

- Doutora, bem... sabe o que é, eu ando trabalhando muito, tô sempre com olheiras, você não acha que é hora de usar algo para firmar os meus olhos? (A verdade é que não consigo me lembrar da última vez que tive coragem de sair sem corretivo de casa. Corretivo é vida. Corretivo da MAC, que fique bem claro).

A doutora olha no meu rosto e me pergunta:

- Quantos anos você tem?

- 26 (Ops, 26?! A primeira vez que eu menti a idade para menos!Foi tão sem querer, eu juro!)

A médica olha mais atentamente para o meu rosto passando os dedos sobre as minhas pálpebras e diz:

- Mas você ainda nem tem rugas!

Eu respiro aliviada com a avaliação da médica que, logo em seguida, põe o dedo em cima da minha olheira roxa e diz:

- Opa, tem umazinha aqui, sim. Vou te passar um creminho ótimo para os olhos.Claro que não adianta muito no longo prazo, quando começar a cair o pescoço, aí que não tem jeito mesmo. Mas, o creminho é bom, hidrata que é uma beleza.

Tento disfarçar meus olhos arregalados e penso: hidratar?! Creminho?! Não dá pra tirar isso agora, doutora? Eu tenho mesmo que me preocupar com isso? Por via das dúvidas você sai do consultório médico com uma lista de mais de dez "remedinhos" para comprar. É tudo ótimo, garantiu a doutora. Na farmácia, mediante o orçamento astronômico, você pensa: o que eu não posso deixar de comprar? Daí você lembra da ruga e vai direto na prateleira conferir aquele creminho para os olhos. Alarmada, você descobre que ele custa a bagatela de 150 reais e que o tubo não é maior do que o seu dedo indicador. Por 150 reais você esperava um milagre do rejuvenescimento e não uma mera hidrataçãozinha. Você se rende, afinal, melhor prevenir que remediar. Leva o tubinho anti-rugas minúsculo, divide tudo em três vezes no cartão de crédito e pensa com um suspiro quando é que você vai ter dinheiro para comprar o próximo. Por que ninguém ainda inventou o bolsa-cosmético?!

p.s.: para quem está atrás de produtos de beleza mais baratos e funcionais, este blog é ótimo: Vende na farmácia. Vai lá.


3 comentários:

Audrey disse...

Ai, ai! Morro de preguiça de dermatologista, comprei um creminho natura mesmo. Será q isso é auto-medicação? Tenho medo de me arrepender no futuro... Mas, odeio esses exageros médicos atuais. Acho até anti-ético pq eles obrigam vc a gastar mundos e fundos em coisas q talvez não precise. Sei não... Queria alguém de confiança mesmo.

Maria B. disse...

A minha é de confiança, ela manda bem, é muito atualizada e tudo o mais, mas se você mesma não impor limites, já era. Agora eu já vou logo dizendo: quero um tratamento bem acessível, viu, doutora.

Tatiana disse...

'tou com 24 e tenho aquelas rugas de gente sisuda bem no meio da testa, além de um bigode chinês bem marcado quando gargalho. Até minha pele denuncia contradições. É isso.

Bom te ver escrevendo de novo, D. Maria B. =)
Feliz ano novo pra gente!

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