Quem nunca foi apresentada a alguém e em menos de 10 segundos ouviu a fatídica pergunta: o q vc faz? No mundo adulto, o q vc faz, ou seja, sua profissão equivale a perguntar o que vc é?
Já te tive vontade de responder: “faço corrida quando não tenho preguiça de acordar, boas comidas quando tenho tempo, sexo quando tenho companhia” e vc?
Mas, não dá, né?
Normalmente, em menos de um minuto vc se vê compelida a desvelar todo o seu currículo para o/a interlocutor/a e muitas vezes já foi obrigada a saber também todas as referências dele/a.
Certas respostas vêm junto com uma aura de poder e dinheiro. Outras com intelecto, sapiência.
Outras tantas com desprezo e até uma certa piedade.
Confesso que essa é mais umas das respostas que tenho dificuldade de responder. Especialmente, quando ela parte de um derivativo no qual a pessoa expõe sua profissão e logo após pergunta na bucha o que você é...
Certa vez dei uma resposta tão cumprida que a pessoa que havia me perguntado, resumiu por conta própria com o qualificativo que menos me agrada e publicou. Fazer o q...
Mas, a questão é: esse ano, não posso como escapar dessa pergunta. Nem da mensuração do valor da minha escolha pelo mercado.
Quem opta por terminar a graduação e ingressar em cursos acadêmicos obtém a prorrogação dessa definição por 02 ou 06 anos.* Eu a obtive por seis. Não há mais como fugir.
Tenho dito que o reflexo da minha maturidade é que com toda a pressão das definições que 2010 me obriga a ter ainda to conseguindo manter certa serenidade (estou até fazendo regime!).
Mas, não é fácil.
Isso tudo me mostra o quão corajosa é a atitude da minha amiga Mafalda!! Eita muié de fibra!!
Tenho resmungado muito com uma das minha melhores amigas que as vezes ainda sinto-me pouco adulta. Ainda não tenho estabilidade profissional, financeira, emocional. Não tenho filhos, nem relacionamentos.
Por outro lado, sei que não vivo numa rede opressora de segurança. Arco com minha vida e minhas escolhas. Vivo com amigos, pago minhas contas, tenho um bom currículo.
Me relaciono por amor, não por estabilidade.
Mas, por mais autônoma e independente que eu seja (ou queria ser) não posso fugir do mundo, tenho de lidar com ele. Responder questionamentos e tomar decisões.
2010 é o ano.
Ou viro adulta ou abóbora.
Muitos acreditam que irei suceder. Outros secretamente torcem para eu fracassar. Eu sempre fui ambiciosa, mas, sendo razoavelmente adulta, sei que o resultado não depende só de mim.
E agora, Maria? E agora, Mafalda? E agora, galera? Para onde?
* Em compensação passa 06 anos na maior pindaíba, enquanto observa os/as amigos adquirirem estabilidade financeira.
"Posso não saber o que o futuro me apronta/Mas garanto que aprendi a nem ligar pro que não conta..." Mais uma vez Anna Ratto:
Já te tive vontade de responder: “faço corrida quando não tenho preguiça de acordar, boas comidas quando tenho tempo, sexo quando tenho companhia” e vc?
Mas, não dá, né?
Normalmente, em menos de um minuto vc se vê compelida a desvelar todo o seu currículo para o/a interlocutor/a e muitas vezes já foi obrigada a saber também todas as referências dele/a.
Certas respostas vêm junto com uma aura de poder e dinheiro. Outras com intelecto, sapiência.
Outras tantas com desprezo e até uma certa piedade.
Confesso que essa é mais umas das respostas que tenho dificuldade de responder. Especialmente, quando ela parte de um derivativo no qual a pessoa expõe sua profissão e logo após pergunta na bucha o que você é...
Certa vez dei uma resposta tão cumprida que a pessoa que havia me perguntado, resumiu por conta própria com o qualificativo que menos me agrada e publicou. Fazer o q...
Mas, a questão é: esse ano, não posso como escapar dessa pergunta. Nem da mensuração do valor da minha escolha pelo mercado.
Quem opta por terminar a graduação e ingressar em cursos acadêmicos obtém a prorrogação dessa definição por 02 ou 06 anos.* Eu a obtive por seis. Não há mais como fugir.
Tenho dito que o reflexo da minha maturidade é que com toda a pressão das definições que 2010 me obriga a ter ainda to conseguindo manter certa serenidade (estou até fazendo regime!).
Mas, não é fácil.
Isso tudo me mostra o quão corajosa é a atitude da minha amiga Mafalda!! Eita muié de fibra!!
Tenho resmungado muito com uma das minha melhores amigas que as vezes ainda sinto-me pouco adulta. Ainda não tenho estabilidade profissional, financeira, emocional. Não tenho filhos, nem relacionamentos.
Por outro lado, sei que não vivo numa rede opressora de segurança. Arco com minha vida e minhas escolhas. Vivo com amigos, pago minhas contas, tenho um bom currículo.
Me relaciono por amor, não por estabilidade.
Mas, por mais autônoma e independente que eu seja (ou queria ser) não posso fugir do mundo, tenho de lidar com ele. Responder questionamentos e tomar decisões.
2010 é o ano.
Ou viro adulta ou abóbora.
Muitos acreditam que irei suceder. Outros secretamente torcem para eu fracassar. Eu sempre fui ambiciosa, mas, sendo razoavelmente adulta, sei que o resultado não depende só de mim.
E agora, Maria? E agora, Mafalda? E agora, galera? Para onde?
* Em compensação passa 06 anos na maior pindaíba, enquanto observa os/as amigos adquirirem estabilidade financeira.
"Posso não saber o que o futuro me apronta/Mas garanto que aprendi a nem ligar pro que não conta..." Mais uma vez Anna Ratto:
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