domingo, 10 de janeiro de 2010

Ser, ter, suceder...!!!

Quem nunca foi apresentada a alguém e em menos de 10 segundos ouviu a fatídica pergunta: o q vc faz? No mundo adulto, o q vc faz, ou seja, sua profissão equivale a perguntar o que vc é?
Já te tive vontade de responder: “faço corrida quando não tenho preguiça de acordar, boas comidas quando tenho tempo, sexo quando tenho companhia” e vc?

Mas, não dá, né?

Normalmente, em menos de um minuto vc se vê compelida a desvelar todo o seu currículo para o/a interlocutor/a e muitas vezes já foi obrigada a saber também todas as referências dele/a.

Certas respostas vêm junto com uma aura de poder e dinheiro. Outras com intelecto, sapiência.
Outras tantas com desprezo e até uma certa piedade.


Confesso que essa é mais umas das respostas que tenho dificuldade de responder. Especialmente, quando ela parte de um derivativo no qual a pessoa expõe sua profissão e logo após pergunta na bucha o que você é...


Certa vez dei uma resposta tão cumprida que a pessoa que havia me perguntado, resumiu por conta própria com o qualificativo que menos me agrada e publicou. Fazer o q...


Mas, a questão é: esse ano, não posso como escapar dessa pergunta. Nem da mensuração do valor da minha escolha pelo mercado.


Quem opta por terminar a graduação e ingressar em cursos acadêmicos obtém a prorrogação dessa definição por 02 ou 06 anos.
* Eu a obtive por seis. Não há mais como fugir.

Tenho dito que o reflexo da minha maturidade é que com toda a pressão das definições que 2010 me obriga a ter ainda to conseguindo manter certa serenidade (estou até fazendo regime!).


Mas, não é fácil.


Isso tudo me mostra o quão corajosa é a atitude da minha amiga Mafalda!! Eita muié de fibra!!


Tenho resmungado muito com uma das minha melhores amigas que as vezes ainda sinto-me pouco adulta. Ainda não tenho estabilidade profissional, financeira, emocional. Não tenho filhos, nem relacionamentos.


Por outro lado, sei que não vivo numa rede opressora de segurança. Arco com minha vida e minhas escolhas. Vivo com amigos, pago minhas contas, tenho um bom currículo.


Me relaciono por amor, não por estabilidade.


Mas, por mais autônoma e independente que eu seja (ou queria ser) não posso fugir do mundo, tenho de lidar com ele. Responder questionamentos e tomar decisões.


2010 é o ano.


Ou viro adulta ou abóbora.


Muitos acreditam que irei suceder. Outros secretamente torcem para eu fracassar. Eu sempre fui ambiciosa, mas, sendo razoavelmente adulta, sei que o resultado não depende só de mim.


E agora, Maria? E agora, Mafalda? E agora, galera? Para onde?


*
Em compensação passa 06 anos na maior pindaíba, enquanto observa os/as amigos adquirirem estabilidade financeira.

"Posso não saber o que o futuro me apronta/Mas garanto que aprendi a nem ligar pro que não conta..." Mais uma vez Anna Ratto:

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