Sempre adorei fazer listas: de compras, de tarefas, de filmes que quero baixar, de CDs que quero gravar, de questões a resolver antes de uma viagem grande, do que colocar na mala, de lugares a visitar...
Nada surpreendente que eu goste tanto de listas afinal sou obsessiva. As listas acalmam as neuroses. Dão uma noção de perspectiva e uma sensação de que estou no controle. Controle. Por que alguem acredita por um segundo sequer que esse controle exista?
Só que levou um tempinho pra eu me dar conta disso… quem faz listas com tanto prazer considera este um ato absolutamente normal. Eu tenho inclusive fiéis companheiros da arte de fazer lista! Eu e minha irmã costumávamos sentar pra fazer listas juntas antes de uma viagem ou projeto comum. Um dos meus melhores amigos é fanático por listas. Já fizemos inúmeras listas em guardanapos em mesa de boteco. Teve uma inclusive, em janeiro de 2009, em que debatemos “cinco coisas que meu próximo peguete tem que ter”. Dias depois, meu “próximo peguete” excedeu as qualidades exigidas em minha lista de então e veio a se tornar meu marido oito meses depois. Necessidade pouca de controle é bobagem…
Aliás, o derradeiro peguete – que recusou-se solenemente a ser só frenesi e virou marido – ao perceber as propriedades calmantes que as listas têm sobre mim, volta e meia faz alguma comigo, especialmente durante a TPM… esse homem é um sábio, acima de tudo.
O que considero mais grave é que não faço só lista de obrigação, mas de prazer também. Recentemente marido me ajudou a fazer a lista de atividades que faríamos nas férias de fim de ano. É que como decidimos ficar no Rio pra curtir nossa casinha nova, fiquei obsessiva com a idéia de que acabaríamos fazendo as mesmas coisas de sempre por não trocar de ambiente. A lista foi uma espécie de monitoramento pra que a gente não ficasse na cama o dia inteiro, deixando o verão sempre pra mais tarde…
É difícil lutar contra fazer listas, afinal elas quase sempre funcionam comigo: me acalmam e me deixam com a impressão de que tenho tudo sob controle. Tenho noção dos perigos dessa falsa impressão, vide minha assuidade na análise. Mas enquanto eu estiver substituindo ansiolíticos por listas, acho que o saldo é positivo…
O importante é não perder de vista a lição que aprendi a duras penas com as vicissitudes da vida: a sensação de controle é falsa. Citar a analista é lugar-comum, mas a mulher é boa e resolvi dar o crédito: ela me falou da dificuldade de lidar com o buraco negro da vida, o inesperado e imprevisto que sempre há. Mas isso é tema graaaaaande pra outro dia.
Por ora, sigo com minhas listinhas, afinal novo ano implica em resoluções… estudar pra entrar no doutorado, emagrecer, convidar os amigos pra jantar comidinhas gostosas feitas por moi-même, ler Lewis Carroll antes do filme do Tim Burton estrear… como toda mulher, sofro da síndrome de Mulher-Maravilha, acho que posso fazer de um tudo, mas isso também é assunto pra outro papo.
5 comentários:
Vixe, fiz lista de tudo no final de 2009. Fiz até uma lista de tópicos de retrospectiva dos anos 00 que partilharei com as vintonas-quase-trinta por outros meios. Uma astróloga me disse que eu nem preciso realizar o que proponho nas listas. Que é listar e já me dá uma sensação de dever cumprido. Listar é viver!
Lista para as férias?! Ai, jisuis!!Hehehehe
Eu num sou fã de listas não!!!
Mas talvez fosse uma pessoa melhor se fosse...
Audrey, eu concordo contigo. Já tenho um moleskine para anotar coisas e já faço listas de supermercado, um bom começo, não?
Listas é para quem é organizado. Patologicamente organizado.
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