Trabalho há 1 ano e meio em uma ONG feminista e me considero muito mal remunerada, consideração frequentemente respondida por minha chefe com um “é o valor do mercado” difícil de tolerar. Há pouco mais de um mês, descobri que uma amiga que ocupa um cargo similar em uma organização parceira ganha quatro vezes o que ganho!! Ecoou ainda mais forte as perguntas que não calam em mim: Quanto valho pro mercado? Quanto valho pra minha chefe? Quanto valho pra mim mesma?
Essa semana, minha chefe respondeu à segunda pergunta: me disse com a maior naturalidade que não me pagaria um extra previamente acordado por uma consultoria que prestei. Em retorno, resolvi (começar a) responder à última pergunta: pedi demissão no dia seguinte.
Poucas dias marcam tanto minha vida adulta como esse. A gente vai assumindo responsabilidades crescentes de forma natural, quase sem perceber. Aí de repente acontecem uns marcos representativos do todo. Ano passado, no mês em que completei 28 anos, me casei e assinei o primeiro contrato de aluguel em meu nome. Apesar de ter saído da casa dos meus pais pela primeira vez aos 19 anos, foi um momento catártico: me dei conta de vez que minha vida adulta é agora. Em sua chegada em minha vida, Saturno não poupou em símbolos.
Pedir demissão e decidir viver temporariamente de consultorias, economia e seguro-desemprego/FGTS vai de encontro à minha mania de controle. Cheguei em casa quase de ressaca, num misto de alívio e “e agora??” Não foi bem um salto no escuro: tenho contatos e propostas de consultoria. Mas, filha de funcionários públicos, fui ensinada desde pequena a ter cautela e ser pragmática. Esse tipo de ousadia parecia não combinar com meu estilo... Só que eu tenho uma teoria sobre mim que falarei em outro post: fui uma adolescente adulta, agora estou me tornando uma adulta adolescente. Ousar combina mais comigo do que nunca.
E me perguntar o meu valor faz parte de um processo de auto-descoberta necessário. Infelizmente, em uma economia capitalista, até ONG segue a lógica do mercado. Nesse mundo, a gente não vale o que sabe e pode fazer. A gente vale o que o mercado determina. Falta então saber qual a resposta do mercado à primeira pergunta. Não outorgo com isso ao mercado o poder de determinar o valor de uso da minha força de trabalho. O quanto valho está muito além do entendimento que "o mercado" pode alcançar. Mas o valor de troca do meu trabalho, determinado pelo mercado, eu resolvi pagar pra ver. Não é que não tenha medo... minha coragem que é muito maior.
* Valor de troca e valor de uso são conceitos marxistas que exigem muito mais reflexão do que a contida aqui... usei portanto com bastante licença poética.
Essa semana, minha chefe respondeu à segunda pergunta: me disse com a maior naturalidade que não me pagaria um extra previamente acordado por uma consultoria que prestei. Em retorno, resolvi (começar a) responder à última pergunta: pedi demissão no dia seguinte.
Poucas dias marcam tanto minha vida adulta como esse. A gente vai assumindo responsabilidades crescentes de forma natural, quase sem perceber. Aí de repente acontecem uns marcos representativos do todo. Ano passado, no mês em que completei 28 anos, me casei e assinei o primeiro contrato de aluguel em meu nome. Apesar de ter saído da casa dos meus pais pela primeira vez aos 19 anos, foi um momento catártico: me dei conta de vez que minha vida adulta é agora. Em sua chegada em minha vida, Saturno não poupou em símbolos.
Pedir demissão e decidir viver temporariamente de consultorias, economia e seguro-desemprego/FGTS vai de encontro à minha mania de controle. Cheguei em casa quase de ressaca, num misto de alívio e “e agora??” Não foi bem um salto no escuro: tenho contatos e propostas de consultoria. Mas, filha de funcionários públicos, fui ensinada desde pequena a ter cautela e ser pragmática. Esse tipo de ousadia parecia não combinar com meu estilo... Só que eu tenho uma teoria sobre mim que falarei em outro post: fui uma adolescente adulta, agora estou me tornando uma adulta adolescente. Ousar combina mais comigo do que nunca.
E me perguntar o meu valor faz parte de um processo de auto-descoberta necessário. Infelizmente, em uma economia capitalista, até ONG segue a lógica do mercado. Nesse mundo, a gente não vale o que sabe e pode fazer. A gente vale o que o mercado determina. Falta então saber qual a resposta do mercado à primeira pergunta. Não outorgo com isso ao mercado o poder de determinar o valor de uso da minha força de trabalho. O quanto valho está muito além do entendimento que "o mercado" pode alcançar. Mas o valor de troca do meu trabalho, determinado pelo mercado, eu resolvi pagar pra ver. Não é que não tenha medo... minha coragem que é muito maior.
* Valor de troca e valor de uso são conceitos marxistas que exigem muito mais reflexão do que a contida aqui... usei portanto com bastante licença poética.
2 comentários:
Nossaaaaa, que post bombástico!!! Mas acho que é assim mesmo, só termina quando acaba! Parabéns pela coragem e libertação, agora é hora de navegar em mares certamente mais prósperos!
Nossa, amiga!! É isso aí!! Parabéns pela coragem!! Vai ser melhor, sim! Não tenho dúvidas. Você vale muito e esse ano terá a comprovação disso. Se deus quiser, todas teremos!!!!
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