sábado, 27 de fevereiro de 2010

Não era um tênis maior o que ele queria…

Sonho com Chico Buarque há anos. Sempre quis estar com ele por alguns minutos. Não necessariamente em alguma incursão sexual. Embora, obviamente não o recusaria. Mas, meu desejo real era que ele conversasse comigo. Soubesse por alguns momentos que eu existia no mundo, sabe? Imagina Chico Buarque ouvindo minha opinião, rindo de alguma bobagem que eu houvesse dito...

No entanto, eu sempre pedi. Quero ver Chico Buarque!!! Quero ver Chico Buarque!!!
Um dia estava olhando o mar e meu santo, que é um anjo, bateu no meu ombro. Olhei para trás sem razão aparente e o vi já de costas. Como ele entrou no banheiro público tive tempo de correr para o outro lado e assim passamos a andar um em direção ao outro por alguns segundos. Melhor dizendo eu em direção a ele. Ele estava apenas continuando seu caminho. Sequer me viu.
Moral da história: pedi errado. Pedi quero ver Chico Buarque. Era para ter pedido, quero que
Chico Buarque me veja, fale comigo, me escute, me ame... rsrs O movimento era contrário. Minha devoção ele já tinha. O que eu queria era a devoção/atenção dele, ainda que breve.
Eu sempre soube o que eu queria. Já tinha repassado em minha mente uma conversa introdutória fofinha. Mas, ainda assim... Eu pedi errado.
Tenho feito isso muito em minha vida. Em especial quando se trata de relacionamentos. Quero amar, viver junto um tempo, viajar, fazer planos. Mas peço sexo, não exijo compromisso, não me coloco com uma certa entrega. Sigo a risca o manual da mulher solteira-independente-sexualmente-ativa-dona-dos-próprios-desejos. Quando muitas vezes, isso simplesmente não me satisfaz.
Fiquei bastante emputecida com o modo como fui tratada pelo último cara com quem saí. Depois de muito praguejar com minha amiga, me dei conta do seguinte: a culpa é minha. Pedi errado.
Eu disse vamos ficar juntos essa noite sem pensar ou falar sobre nada mais.
Enquanto meu desejo era diverso.
Tenho convicção de que é possível haver sexo sem amor. Acredito que são mais felizes as mulheres que tem essa noção. Afinal, não consigo amar tão facilmente. Isso não me faz abdicar de uma luxuriazinha de vez em quando....
O que me incomoda é que o próprio tempo do sexo acaba sendo antecipado. Às vezes gostaria de ficar um tempo apenas nos amassos, criar intimidade. Gostaria de ter mais romance... Só que eu não peço isso.
Se não peço, como posso ganhar, não é mesmo?
Não me entendam errado, eu odeio esse clichê de que a mulher tem de esperar tanto tempo para dar para alguém para que o relacionamento seja sério. Na verdade, sempre curti isso no relacionamento entre mulheres: fazer o quê e quando dá vontade. Sem ter de se preocupar em parecer fácil ou algo por aí.
Talvez tenha me expressado mal acima. A questão não é o sexo. É como tenho me expresso em relação ao que quero com as pessoas. Eu quero sexo, mas quero mais que isso. Porém, minha auto-suficiência nem sempre permite que isso fique claro em palavras e reações.
A vida não é um filme e não é sempre que teremos alguém para ver dentro de nós quando estamos verbalizando o oposto do que sentimos, não é mesmo? Essa cena diz tudo:



Nem acredito que essa é a primeira vez que a Audrey aparece aqui. Me parece injusto, não é? Ah! Como eu amo esse filme!! Independente de todos os clichês que nele estão. Isso era uma comédia romântica!! Rendo-me, amo esse filme. Amo a Audrey. Olhem ela abaixo cantando, não é simplesmente adorável??!

"Moon River"
music by Henry Mancini, lyrics by Johnny Mercer
Moon River, wider than a mile,
I'm crossing you in style some day.
Oh, dream maker, you heart breaker,
wherever you're going I'm going your way.
Two drifters off to see the world.
There's such a lot of world to see.
We're after the same rainbow's end--
waiting 'round the bend,
my huckleberry friend,
Moon River and me.

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