quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sentir ou não sentir?! Eis questão!!

“A repressão do amor ilumina os fenômenos dele com muito mais clareza que a mesma experiência. Há virgindades de grande entendimento. Agir compensa, mas confunde. Possuir é ser possuído, e portanto perder-se.” (Fernando Pessoa, Livro do Desassossego)
Muitas vezes me surpreendo com minha capacidade de sentir extremamente e eloqüentemente. A Mafalda antes de se apaixonar pelo marido dela vivia dizendo que achava que na nossa idade não dava mais para sentir essas paixões rasgadas da época adolescente. Nem preciso dizer que ela mudou de idéia, né?
Alguns acontecimentos recentes me colocaram cara a cara com minha capacidade de sentir e a vontade sentir ainda mais. Quando assumimos uma vida independente e nos responsabilizamos pelo peso de nossas escolhas e atitudes, temos maior liberdade. Porém, também temos maiores enfrentamentos.
Resolvi dar para um cara que há muito me fazia estremecer, mas que tem um relacionamento estável com outra. Por muito tempo, pensei que não seria certo fazer isso, nem tampouco seria bom para mim. Refreie o desejo. Quando o sentir me pareceu mais controlado decidi que era hora de ceder.
Cedi. Foi muito bom. Mas, não foi maravilhoso como eu sonhara. Isso não diz nada sobre nossa performance conjunta. Não foi maravilhoso pq eu não podia me permitir sentir. Não estava posto o romance, a conquista, não havia a expectativa do depois. Foi apenas o ceder ao desejo.
Por mais que eu acredite ser possível separar desejo e prazer de sentimentos, esse não era o caso. Não era o que eu queria. Eu gostaria de poder me abrir completamente a todas as emoções. Tenho descoberto que o não-sentir pode ser tão incomodo quanto o sentir quando não se deve.
Em outros tempos, eu fantasiaria que tudo iria mudar. Em breve, ele iria bater em minha porta e declarar-se. Entretanto, esse é mais um dos pesos de “amadurecer”: parar de iludir-se. Tenho 30 anos e quero uma vida verdadeira com alguém que faça parte da minha vida e do meu dia-a-dia. Não posso me permitir ficar devaneando como uma adolescente boba sobre coisas que não acontecerão ou não sei se acontecerão (oh! Esperança boba q nunca me larga a mão)
De tudo, posso dizer que fico feliz por saber que nada nesses 30 anos conseguiu me fazer perder a capacidade de sentir. A vida é hoje. Hoje sou só eu, meus prazos, meus livros e meus temperos. O que me permito é continuar a busca por um sentimento vermelho vibrante que um dia poderei deixar me invadir...!!!

PS: De todo modo, confesso q nesse e em outras situações repito o mantra adolescente para quando queremos fazer algo que não deveríamos fazer: “melhor nos arrependermos do q fizemos do que do que não fizemos”. Ou, bemmmm mais poeticamente falando:

1 comentários:

Maria B. disse...

Falou e disse! Tô pensando assim também, foco naquilo que vale a pena!

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