Comprei um vestido verde há mais de 5 anos. Nunca usei. Ele deveria ser usado numa noite especial com alguém por quem eu estivesse apaixonada. O comprei pensando vai ser usado naquela noite. Eu vou estar linda, mais magra e ele vai ser o vestido perfeito.
A noite nunca chegou.
O vestido está no cabide...
Hoje, traz mais melancolia do que expectativa.
Minha bebida preferida é Chandon Rouge. Para mim, é a bebida perfeita para brindar grandes e bons momentos. Imagina, só: é vermelho, borbulhante e no gosto há toques de especiarias. Perfeito, né? Qual não foi meu desespero ao descobrir que por “direcionamento do mercado (lei-se: só eu gosto dessa porra) a Chandon deixou de fabricar a versão rouge”.
Procurei por toda parte e dei pulos num supermercado quando achei.
Comprei 6! Um para brindar meu ano novo, outro para brindar meu aniversário na minha cidade natal, outro para brindar o aniversário na cidade que moro e assim por diante. Brindar momentos especiais.
Esperava que um deles talvez fosse o enebriante de uma noite romântica.
Guardo todos com o maior ciúme.
Ontem, chegay bêbada em casa com dois grandes amigos. Meus amigos há mais de 10 anos. Eles queriam beber algo. Só havia leite, água e Chandon! Abrimos o Chandon quente como estava. Hoje, Mafalda passou aqui brindamos novamente e bebemos um pouquinho mais. O restinho da garrafa e bebi sozinha.
Hoje quando acordei refleti sobre isso e pensei: ora, não sou q vivo dizendo que devemos comemorar a vida sempre e não ficar esperando grandes momentos? Que melhor momento do que estar ao lado de pessoas q amo.
Pode parecer conformista, mas não encaro assim. Claro que eu ainda espero ter essa danada dessa noite especial que mereceria o vestido verde o champagne vermelho, mas é provável que nada disso me esteja à mão quando essa noite ocorrer, ou que eu nem vá lembrar deles, serão totalmente supérfluos.
A questão é eles são símbolos de uma espera por algo que não posso controlar, se, quando e em que condições existirá. Como sou alguém que prefiro lidar com o que tenho e com o que depende de mim.
Pretendo tomar muito Chandon rouge nos próximos meses. Em momentos que se mostrem propícios. Sem necessidade de nenhuma grandiosidade. E juro que vou tirar o vestido verde do armário...
Escrevi esse post há mais de um mês e acabei publicando um outro que fez mais sentido à época. Nesse interim, já tomei duas garrafas de Chandon e programo outra para breve. Essa semana, voltei a minha cidade natal para ficar com a família ante a piora de um doente crônica. Tantos sentimentos que precisaria de uns 100 posts para explicar.
Por outro lado, a "moral da história" desse post sobre aproveitar a vida e os momentos faz ainda mais sentido neste momento.
Ah! Como eu amo Adriana Calcanhoto:
Sins
Adriana Calcanhotto
Composição: Adriana Calcanhoto
Eu nunca faço escolhas, eu quero sempre tudo
Eu digo sempre sim
Eu não me confundo
Eu vou logo aceitando, eu peço sempre muito
Eu quero ver o fundo
Eu não vacilo
O tempo todo eu mudo, eu não duvido
Eu nunca pego restos
Eu não decido, eu quero...
Para estar em movimento,
invento alvos
Eu finjo que estou perto
Eu só minto pra mim mesmo
Atrás de freqüências, potências, clarezas
Alcei novas retas, alcei novas rotas
Por onde pulsa a minha pressa
Eu não duvido
E sim eu digo
E sim eu quero
E sins, eu quero...
E outra:
sábado, 20 de março de 2010
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