Sempre faço plano mirabolantes de escrever 60 páginas em 5 dias. Coisas assim. Esses planos costumavam dar mais certo antigamente. Não, não é que eu esteja ficando velha e não dê mais conta de passar a noite em claro, ou de escrever sem parar.
O problema é que eu tenho 30 anos, né?
Com 30 anos, vc fica mais critica. Vc espera mais de si e imagina que as pessoas também estão esperando mais. Não tenho mais como escrever qualquer coisa. Preciso ter cuidado com o que falo, de onde falo, de onde retiro meus pressupostos. Mil exigências de uma vida acadêmica intelectualmente honesta.
O problema é identificar o quando estou apenas sendo preocupada com a qualidade e com a honestidade do trabalho e o quando estou sendo neurótica e deixando a mania de perfeição me paralisar ou prorrogar até o infinito o final de um texto.
Nunca demorei mais de 30 min para escrever um desses posts. Às vezes, em menos de 15 minutos estão prontos. No entanto, posso levar um dia inteiro para escrever meia página de um artigo que está com quase três meses de atraso.
Pânico total. (www.writeordie.com)
O mesmo acontece com a vida. Faz quase um mês que escrevi aqui minhas resoluções de ano 30. Nenhuma delas está cumprida. Estou trabalhando nelas, burilando meu coração e minha mente.
Escrever é um processo construído através de leitura, observação, reflexão... Para escrever algo minimamente interessante e relevante é preciso ter a humildade de estudar bastante antes de nos pronunciarmos e a arrogância de achar que conseguimos refletir algo a mais do que os outros e, portanto, será importante o “mundo” poder dispor de nossos escritos.
Ontem, em conversa com Mafalda e o marido dela e falávamos da importância de certas pessoas como Socrates ou Jesus. Nunca escreveram uma linha. Mas há milênios influenciam a humanidade.
Não queria influenciar durante milênios não, mas se não tivesse a pretensão de influenciar um pouquinho, de me meter um pouquinho que seja, eu ficaria calada e eu não sei calar. Ou não quero.
Viver também é um processo no qual é preciso se reconstruir dia-a-dia com a humildade de notar que precisamos sim mudar muito em nós mesmos e com a arrogância de acharmos que mesmo estando longe de sermos a melhor versão de nós mesmos merecemos o amor e a felicidade do modo mais pleno possível.
Quem nunca quis dar uma adiantada na vida, para chegar logo naquele ponto sonhado? Não adianta. É preciso estar pronto. É preciso perder-se, moldar-se, recriar-se .
Entre a vida e a escrita; a vida na escrita; a escrita na vida; a vida com a escrita, vou vivendo com a arrogância e a humildade que me guiam e me desviam, mas que acima de tudo me fazem aprender.
* Maria Bethania canta tudo que eu sinto, senti ou quero vir a sentir.
O vídeo abaixo não tem a ver diretamente com o post, mas a dor que ela passa e sua beleza, falam diretamente comigo e meus sentimentos:
Como vcs vêem muito antes da globo permitir que Thais Araujo mostrasse a beleza de seus cachos, antes mesmo de Vanessa da Mata nascer, Bethania já estava linda, confortável e poderosa!
Bem, e Chico? Chico não precisa de justificativa para estar em lugar algum, não é? Mas, essa música tem tudo a ver com o post. rsrs Para mim, não fala só da busca pelo amor, mas por tudo aquilo que queremos, porém a vida ainda está dizendo: calma, para que a pressa? Como dizia meu pai “a pressa é inimiga da perfeição!”:
1 comentários:
Sobre a escrita, bem... I've been there. Não acredite na exigência, nunca. É quase sempre freio e não estímulo. Sobre Jesus e Sócrates: aprendi na análise que existem muitos jeitos de escrever além das letrinhas em papel. Sabia que para Lacan a primeira escrita da gente é o primeiro cocô?
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