Querendo ser Mandela, mas me tornando Richard Dreyfuss.
Não, não pretendo mudar de gênero. Sou bem feliz sendo mulher.
Apenas, tenho estudado bastante a história da África do Sul e quanto mais o faço mais me apaixono pelo Mandela. Já notei que essas minhas paixões, sejam aquelas que acabo achando que irão se tornando reais e fantasio o grande amor *; sejam essas outras mais inefáveis que tenho pelo Mandela ou pela Angelina Jolie, estão extremamente ligadas ao que eu gostaria de ser.
Sempre quis ser Mandela. Ou Angelina.
Jamais quis ser Mr. Holand, o personagem de Richard Dreyfuss em Meu Adorável Professor. Embora tenha me emocionado extremamente na última cena (abaixo), lembro da minha sensação à época que era assim: “lindo, mas ainda assim pouco para mim”.
Soa pretensioso, porém é verdadeiro. Sou pretensiosa mesmo, mas esse post é para dizer que finalmente aos 30 anos começo a pensar que talvez deva ser mais humilde. Quem sabe meu destino não está mais ligado do “modelo Richard”? Quem sabe não é hora de eu assumir isso? Não com pesar, mas com orgulho.
Isso muito me atinge atualmente. Afinal, estou no fim de um ciclo e além de muitas outras dúvidas, uma das mais profundas tem essa raiz: quem sou no mundo profissional para mim define muito quem eu realmente sou. Quero crer, que minhas escolhas profissionais não se definem por dinheiro, mas por paixão às causas. Não sou hipócrita claro que gosto de dinheiro, preciso de dinheiro. Espero no fim deste circulo ter uma situação de menos dividas e mais estabilidade. Só não é esse o motivo que me faz acordar de manhã com entusiasmo. Quero melhorar o mundo, quero lutar pelas causas nas quais acredito e com resultados efetivos (claro!).
Ter consciência de que não sou destinada a ser um Mandela, me ajuda a ver que as posições que ocupo hoje e as que tenho uma possibilidade real de obter não são conformistas. São o meu lugar. É a partir delas que poderei incidir no mundo. Com elas não mudaria o destino de uma nação, não entrarei para a história. Entretanto, poderei ajudar a formar pessoas preocupadas com a realização de direitos humanos e valores afins. Poderei enfrentar questões e tornar certos direitos de certas pessoas mais reais. Até onde eu irei assumir isso com o coração e a alma, ou até ficarei tentando me convencer por toda a vida, só o tempo dirá.
Não posso esquecer que para amar alguém e estabelecer uma parceria com esta pessoa pelo maior tempo possível também não precisa ser o Mandela ou a Angelina, pode ser alguém que faça pequenas grandes diferenças na vida dos outros e uma imensa diferença na minha vida.
* Ainda que viva repetindo não crer mais nesse danado de grande amor, por vezes, acho que quando repito estou tão somente tentando me convencer para conviver com minha atual realidade.
Video: - Mr. Holland's Opus (desculpem, mas uma vez não há com legendas)
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