domingo, 30 de maio de 2010

Mulher é bicho esquisito...

...todo mês sangra.
À medida que me aproximo dos 30, tenho notado mais as especificidades da TPM. Não sei se porque me conheço mais e percebo melhor o que me acontece há uns 16 anos todos os meses. Ou se a coisa vem piorando com a idade. Dividir o teto com alguém que tem que aturar as agruras disso também me fez mais consciente das minhas chatices.
Fato é que me convenço que se tivesse anotado cuidadosamente, conseguiria escrever minha biografia baseada no meu ciclo menstrual. As principais brigas com minha mãe e irmã na adolescência, as crises de namoros, os ganhos de peso, a vontade de largar tudo e pegar a estrada, os momentos altamente sexuais e os assexuados e até, pasmem(!), o comportamento intestinal parece ter a ver com a danada.
Essa coisa de reeducação alimentar e atividades físicas também ajudam. Eu, sempre tão preocupada em cuidar do intelecto e do espírito... observar as mudanças do meu corpo também têm me ajudado a me entender mais. Se tem uma coisa que o feminismo trouxe de ruim pras mulheres "descoladas" é a quase-negação das especificidades da matéria e constrangimentos de ordem natural. O corpo existe enquanto entidade, embora o que façamos com ele seja tão intrinsecamente simbólico.
Aí, aos quase-30, tenho me preocupado não somente com o etéreo, mas também mais recentemente com o corpóreo. Há uma geração atrás, uma mulher da minha idade já provavelmente seria mãe. Negação do corpo-enquanto-entidade é piada quando se está com um ser na barriga ou o alimentando no próprio peito. Sempre acho essa coisa da mulher e sua cria muito louca e intensa. E nós, mulheres "descoladas", quase que nos descolamos da própria experiência humana, tentando domar os ciclos da natureza, escolher o momento apropriado (?) pra ter filhos, achar que qualquer dia do mês o humor tem o sabor de nossa vontade...
Não faço um manifesto em defesa da sobredeterminação da matéria sobre a vontade. Mas a favor da humildade de reconhecer que não somos mulher-maravilha. E mais: reconhecer o próprio mistério inominável de existir. Tô engatinhando nesse caminho de humildade. Mas a vida tá me sacudindo pra que eu não esqueça meus limites, ao contrário dessa aventura pós-moderna do tudo-é-possível. Reconheço as implicações negativas do feminismo, mas desserviço mesmo fez Xuxa e sua "Lua de Cristal" pras quase ou recém-balzaquianas da nossa geração, frustradas de culpa por não conseguir ser tudo que quer.

PS: Aceitar que há limites não implica em ser conformista. Exercito minha utopia, loucura e fé no amor sempre! Afinal, "Meu coração não se cansa de ter esperança de um dia ser tudo o que quer... meu coração vagabundo, quer guardar o mundo em mim."

Pra encerrar, duas sábias mulheres que inspiram...




domingo, 23 de maio de 2010

Onde me encontrarei??

Faz tempo que não escrevo. Tempo. Inspiração. Culpa por perder tempo com isso quando deveria estar tesando. Hoje senti uma vontade incontrolável de falar. Não sei quem sou. Todas os aprendizados parecem ser di-mi-nu-tos. Sinto que ainda não me encontrei e tenho dúvidas se me encontrarei.

Certas decisões que venho adiando na minha vida não podem mais ser adiadas. Dói decidir. Dói pensar em ficar. Dói pensar em ir.

Dói não amar. Tô cansada de ser impar. To cansada de não saber sentir. To cansada de olhar o horizonte e não ter qualquer perspectiva de amor. To cansada de tentar ser forte. To cansada de repetir que ficar só é bom pq aprendemos a nos conhecer e aí de repente olho para mim e vejo que não me conheço!!!

Tenho visto que quando bebo muitos sentimentos tem aflorado e tenho tido dificuldades com a hora de parar de beber. Não bebo sempre, mas quando bebo sinto quer perdi a noção do tempo de parar e acabo muito mal no dia seguinte. Não, não subi na mesa, nem fiz nenhuma baixaria. Mas, sinto q falo mais do q devo, sinto q minhas frustrações vem mais a tona no dia seguinte. Resultado, decidi parar de beber.

Me sinto injusta por reclamar, minha vida parece que aos poucos está se resolvendo. O que não está resolvido depende de mim. Não estou puta com a vida. Tô puta comigo. Por não saber quem sou, nem o que quero. Por não saber amar, não saber me dar.

Essa semana uma grande amiga me visitou. Em nossa inúmeras conversas, teve uma q comecei dizendo o ideal para mim seria... Como em uma avalanche eu fui mudando e acrescentando ao ideal pq na verdade o que digo quer seria “o ideal” é uma visão conformista e sensata que criei para estancar o querer.

...!!!
Quem melhor do q Chico para expressar o q sinto e ainda me dar esperança?:


Nunca fui a maior fã de Woody Allen, mas os últimos filmes dele fazem todo o sentido para mim.
Wathever works é genial, queria vê-lo mil vezes. Todos os dialogos são maravilhosos e me falam sobre esse meu momento, só uma palinha:



quinta-feira, 13 de maio de 2010

As (quase) balzaquianas e a gravidade

Dizem que a insatisfação é força propulsora de mudanças. Motiva para a ação. Pode ser. Mas na sociedade contemporânea, os padrões para se alcançar a felicidade em todos os aspectos são tão altos que você nunca sabe se está sendo paranóica quando se preocupa ou relapsa quando relaxa.
Nos quase-30, a coisa chega ao limite da loucura. Somos bombardeadas diariamente com estórias em revistas sobre mulheres famosas que chegam aos 30, com o casamento dos sonhos, um filho lindo, um corpo que desafia a gravidade no pós-parto (tudo por obra de ter uma boa genética porque elas costumam preconizar comer de tudo) e uma conta bancária que lhes permitiria parar de trabalhar já (coisa que elas não fazem porque dizem amar o que fazem)... ufa! Você se sente uma reles mortal lendo a lenda de uma divindade ou um mutante.
Muitas de nós mortais suspiram de alívio quando vêem o casamento dos sonhos acabar em escândalo, ou a foto sem photoshop com celulite da famosa em questão na praia, ou quando ela abre a boca e fala uma besteira sem tamanho... isso nos faz sentir menos ET e faz elas parecerem mais NORMAIS!
Uma coisa que aprendi nessa minha vidinha singela de quase 30 anos é que não se pode ter tudo. Busquei trabalhar com aquilo que amo, então demorou muito pra ter retorno financeiro. Até ser reconhecida pelo que faço depois de muito perrengue e finalmente poder bancar alguns pequenos luxos. Escolhi viajar o mundo por muito tempo, então tive relacionamentos sem entrega por muito tempo. Até encontrar um amor daqueles que abala tudo e quebrar a regra de que uma mulher independente não faz concessões por amor: fiz muitas e fiz todas por escolha e sorrindo. Comi tudo que gosto sem culpas, então cheguei aos 28 anos e meio com sete quilos a mais do que considero ser meu peso ideal. Até me olhar no espelho, dizer basta e, como diz um amigo, fazer download de cabeça de magra. Não dá pra tomar coca-cola normal, ser sedentária e achar que um dia por obra divina acordarei com uma barriguinha chapada.
Essa história de ficar em forma sempre foi contra meus princípios de feminista e intelectual. Continuo achando que a obssessão com a magreza não pode obscurecer a centralidade do objetivo de viver com verdade, buscar conhecer e se conhecer, ter a serenidade para enfrentar problemas que virão eventualmente.
Fazer um post pra justificar minha dieta é típico da minha obssessão em fazer o que acredito. E nesse momento, acredito com firmeza que chegar ao meu peso ideal (e com saúde!) pode não trazer felicidade, mas vai me fazer sentir mais segura, sensual e bonita. Precisa mais??