quinta-feira, 13 de maio de 2010

As (quase) balzaquianas e a gravidade

Dizem que a insatisfação é força propulsora de mudanças. Motiva para a ação. Pode ser. Mas na sociedade contemporânea, os padrões para se alcançar a felicidade em todos os aspectos são tão altos que você nunca sabe se está sendo paranóica quando se preocupa ou relapsa quando relaxa.
Nos quase-30, a coisa chega ao limite da loucura. Somos bombardeadas diariamente com estórias em revistas sobre mulheres famosas que chegam aos 30, com o casamento dos sonhos, um filho lindo, um corpo que desafia a gravidade no pós-parto (tudo por obra de ter uma boa genética porque elas costumam preconizar comer de tudo) e uma conta bancária que lhes permitiria parar de trabalhar já (coisa que elas não fazem porque dizem amar o que fazem)... ufa! Você se sente uma reles mortal lendo a lenda de uma divindade ou um mutante.
Muitas de nós mortais suspiram de alívio quando vêem o casamento dos sonhos acabar em escândalo, ou a foto sem photoshop com celulite da famosa em questão na praia, ou quando ela abre a boca e fala uma besteira sem tamanho... isso nos faz sentir menos ET e faz elas parecerem mais NORMAIS!
Uma coisa que aprendi nessa minha vidinha singela de quase 30 anos é que não se pode ter tudo. Busquei trabalhar com aquilo que amo, então demorou muito pra ter retorno financeiro. Até ser reconhecida pelo que faço depois de muito perrengue e finalmente poder bancar alguns pequenos luxos. Escolhi viajar o mundo por muito tempo, então tive relacionamentos sem entrega por muito tempo. Até encontrar um amor daqueles que abala tudo e quebrar a regra de que uma mulher independente não faz concessões por amor: fiz muitas e fiz todas por escolha e sorrindo. Comi tudo que gosto sem culpas, então cheguei aos 28 anos e meio com sete quilos a mais do que considero ser meu peso ideal. Até me olhar no espelho, dizer basta e, como diz um amigo, fazer download de cabeça de magra. Não dá pra tomar coca-cola normal, ser sedentária e achar que um dia por obra divina acordarei com uma barriguinha chapada.
Essa história de ficar em forma sempre foi contra meus princípios de feminista e intelectual. Continuo achando que a obssessão com a magreza não pode obscurecer a centralidade do objetivo de viver com verdade, buscar conhecer e se conhecer, ter a serenidade para enfrentar problemas que virão eventualmente.
Fazer um post pra justificar minha dieta é típico da minha obssessão em fazer o que acredito. E nesse momento, acredito com firmeza que chegar ao meu peso ideal (e com saúde!) pode não trazer felicidade, mas vai me fazer sentir mais segura, sensual e bonita. Precisa mais??

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