quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Projeto sete desejos, na fumaça do cigarro...


Quanto de nós podemos doar aos outros sem que deixemos de ser nós mesmos? Amar é se dar, se envolver, ao ponto de se confundir, às vezes não conseguir distinguir onde se começa um e termina o outro...
Não sou adepta da filosofia-mundo liberal da afirmação do indivíduo e suas vontades desconectadas de tudo e de todos. A interdependência é real e palpável. E se alguns esquecem disso no dia-a-dia, sempre vem uma tristeza que implora por acolhimento, uma doença que precisa de cuidado, uma dúvida que pede bate-papo... pra nos lembrar que precisamos dos outros, SEMPRE! Então, sem ilusões de que a autonomia total é possível, também há de se reconhecer o silêncio de si mesmo, um espaço que ninguém além de nós tangencia e que é tão imcompreensível até pra nós mesmos...
Na prática do amor à humanidade e do amar verbo transitivo (amar a alguém em especial) tão frequentemente nego ou ignoro o silêncio de mim mesma. Mas continua ali e às vezes emerge, sufocado de passar tanto tempo enterrado e explodindo de angustia...
Cotidianamente recalcamos desejos em nome do compromisso aos outros, às nossas verdades, à coerência com a nossa filosofia de vida, ou a tudo isso. Do chocolate a mais, ao cigarro proibido e da trepada que vai nos atrasar pro almoço de família... quando é que os recalques deixam de ser compromisso recompensador e passam a ser auto-abnegação compulsiva, do tipo que nos leva fatalmente a cobrar a conta daqueles em nome de quem supostamente freiamos tais impulsos? Se em algum lugar este limite está claramente demarcado, alguém hasteie uma bandeira no ponto porque eu creio que me confundi. A resposta do bom samaritano ou do iogue é que há de se ter equilíbrio e etc e tal. Mas se equilíbrio fosse o conceito tão auto-explicativo, não estávamos sempre nos descabelando com os excessos de se gastar, de se dar, de se reservar, de não arriscar...

1 comentários:

Lua Adversa disse...

se soubéssemos essas coisas, como iríamos viver? não sei se quero saber, não por acreditar que seja melhor estar iludida,mas pq certas coisas não têm receita e, acredito, que é justamente fazendo coisas que não sabemos como devem ser feitas é que vamos nos formando e nos tornando a singularidade que é cada um de nós

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