No rol das frustrações dos quase-30, sem dúvida a "vida sentimental" figura luminosa no imaginário de mulheres (e homens) recebendo a visita de Saturno. Da frustração de não ter ninguém em vista e se sentir só, às frustrações de um relacionamento a dois, passando pela dor de já ter passado por um casamento frustrado... frustrações abundam quando se QUER amar. Durante muito tempo, acreditei que "bem melhor seria poder viver em paz, sem ter que sofrer, sem ter que chorar, sem ter que querer, sem ter que se dar". Até me apaixonar e resolver viver esse sentimento tão inebriante, que colore tudo mais de novos e inesperados sentidos.
Viver a dois exige acordos que se fazem na mesma língua, há de se entender o que se expressa, comunicação de vontades, chateações, limites. O problema é que às vezes nos sentimos como "Baudolino", falando várias línguas ao mesmo tempo e não sendo compreendidos em nenhuma delas. Diálogos se tornam constantes DRs, o ronco que a princípio era bonitinho não te deixa dormir, expectativas a respeito do comportamento do outro oprimem o cotidiano natural... em alguns momentos, você se sente mais compreendido por desconhecidos do que pelo interlocutor prioritário, com quem tanta intimidade foi construída.
Às vezes a fronteira que protege a intimidade de um casal e o que é só dos dois se torna fina e frágil membrana e até sufoca, te faz sentir saudade de si mesmo, torna escuro o ambiente em que conseguimos "ver" o outro.
Não tem idade pra viver isso, amor ou frustração. Mas, sim, aos quase-30 nossas expectativas de realizar algo nesse espaço parecem intensificadas com lente de aumento. E nós parecemos tão incapazes de fugir e também de enfrentar tão grande tarefa.
Um dos meus filmes preferidos de todos os tempos, "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" fala tão lindamente da vontade de estar junto, da dificuldade de sustentar a convivência, da insistência em tentar apesar de tudo, mesmo quando se tenta esquecer:
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