quinta-feira, 7 de abril de 2011

"Tempo de paz não faz nem desfaz..."

Minha irmãzinha casou. "Irmãzinha" é cacoete de irmã mais velha que tem dificuldade de ver uma mulher naquela figura sapeca que já foi uma criança tão desprotegida. Mas, enfim, parte de se tornar adulta é também reconhecer que as antigas crianças agora são adultas e não se sentir também juvenil perto delas. Eu e minha irmã sempre temos essa dificuldade. Não convivemos por mais de um ano ininterrupto desde que eu tenho 19, então a gente congelou no tempo. Quando nos encontramos, esperamos que a outra haja igual há 10 anos atrás e isso gera desentendimentos homéricos. Mas, ok, vamos aprendendo. Tem um lado bom: quando nos chocamos de nos perceber "adultas", nada é mais reconfortante que ligar pra outra e dizer "como assim eu casei? me explica como cheguei aqui?" Nessas horas ninguém me entende mais do que ela. Porque ela está longe de mim tempo o bastante pra também se surpreender com o que pros amigos do cotidiano é mais gradual. Mas ela esteve perto de mim tempo o bastante pra saber o que é relevante.
Uma amiga confessou depois de muito vinho que comentava com a analista que as pessoas não entendem essa coisa de amar e se entregar e que me usava como exemplo. Aparentemente as pessoas não entendem como eu e marido investimos tanto nisso. Não devia, mas me surpreendi com o comentário. Sei que ela disse isso no melhor dos sentidos, de que nossa entrega é referência, etc e tal. Mas sempre fiz isso de forma tão natural que me surpreende que isso surpreenda alguém. "Vocês não fariam o mesmo?", me pergunto. "Vocês não se entregariam de corpo e alma se reconhecessem o amor em outro alguém?" Que tola sou. De achar que as pessoas querem amar e se entregar. Na verdade, o medo é foda pra caralho. Tão foda que paralisa mais do que qualquer doença. Literalmente...
Se entregar, apesar do medo, é como saltar no escuro. Dá frio na barriga, vai de encontro aos reflexos de auto-preservação, mas o prazer é surreal. Por isso celebro a coragem da minha irmãzinha, que há dois anos nos perguntava se não era melhor usar rapel. E que agora mergulha loucamente sem hesitar. Compartilhamos mais esse segredo. Amar pode doer, fazer sofrer, até enlouquecer. Mas nada dá mais sentido à vida do que sentir isso. Saravá!