sexta-feira, 15 de julho de 2011

Dividir o teto

Essa coisa de dividir o mesmo teto
É um delicado ato
Às vezes dá vontade de fugir pro mato
Sufocamos entre tanto concreto

Mesmo mantendo o coração aberto
Num dado momento insólito
Pode-se ficar farto
De ver o outro tão de perto

Se então perco o tato
E digo o que penso de forma torta
Talvez receba de volta um pito
Talvez sem perceber, feche uma porta

É vão buscar sentimento exato
Num poço de dor infinito
Talvez me encontre de assalto
Torpe, tola, tonta
Buscando acordos tácitos
Onde nada foi dito

2 comentários:

Anônimo disse...

Que coisa mais linda você poeta! Não sei se acredito em portas fechadas quando há sentimentos, mesmo que seja dor. Ver o outro de perto é um risco, dor-amor em constante malabarismo.
Beijo
Maria B.

Errare humanum est disse...

A cegueira de ter a si mesmo como o sentido conhece o sabor de ser só
O vento da dor tangencia a pele,mas o que ficou perece no concreto

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