Há algum tempo não escrevo nesse blog. Já comecei e não terminei vários outros posts. Como se nenhum tema fosse realmente válido para estar aqui. Como se a vida já não fosse dramática ou cômica o suficiente em si mesma. A proximidade dos 30 - e a eventual "crise" que vem acompanhada dessa idade - foi o que motivou a existência desse espaço. Porém foi quase o mesmo momento que ouvi: "como seus textos são dramáticos! Que drama é esse?!" O comentário ficou comigo. Ficou porque houve um tempo que eu era um poço de dor ambulante. E carregava meu próprio inferno na cabeça egoisticamente só pra mim. Dor e neurose que se consumiam em si mesmas e fabricavam novas dores, só pra mim. Um tempo em que eu me sentia incapaz de agir no mundo sem deixar de escolher a dor que sempre me levava ao caminho do irrealizável. A dor, personagem de si mesma, buraco negro avassalador, totalmente viciante, inebriante. Os sentimentos ali, pungentes, doendo, sangrando - só pra mim, só pra mim. Um poço de águas profundas tão atraente, tão irresistível. Saltava ali todo dia no meu mergulho interior. E ali fiquei por muito tempo. Até o fatídico comentário sobre o meu drama. Que dor é essa que se alimenta de si mesma? De onde vem esse drama que não é vivido, mas imaginado e que inspira medo? A dor em paradoxo: medo de perder a dor, medo que ela aumentasse com as vicissitudes inevitáveis da vida. A dor é assim: pensamento tautológico e circular que não sai de si. Daí resolvi desprezar a dor e viver, abrir a porta do quarto, mudar de apartamento, mudar de ares. Sensualizei a vida nos meus sentidos. E a vida é dor, mas não a dor que é minha. Mas dor que se vive e se descobre no outro e na própria realidade. A dor do desejo, do amor. Vai e volta e quando chega em mim já é outra coisa. Essa dor, quase uma inquietação, me leva pra frente, me faz realizar. Foi essa dor que me deu palavras que não brotam só da minha cabeça. Não sei se consigo escrever com elas. Mas levanto todo dia e tento, tento, tento, tento. Tentarei. De novo.Nada dessa cica de palavra triste em mim na boca
Travo, trava mãe e papai, alma buena, dicha louca
Neca desse sono de nunca jamais nem never more
Sim, dizer que sim pra Cilu, pra Dedé, pra Dadi e Dó
Crista do desejo o destino deslinda-se em beleza:
Outras palavras
Tudo seu azul, tudo céu, tudo azul e furta-cor
Tudo meu amor, tudo mel, tudo amor e ouro e sol
Na televisão, na palavra, no átimo, no chão
Quero essa mulher solamente pra mim, mais, muito mais
Rima, pra que faz tanto, mas tudo dor, amor e gozo:
Outras palavras
Nem vem que não tem, vem que tem coração, tamanho trem
Como na palavra, palavra, a palavra estou em mim
E fora de mim
Quando você parece que não dá
Você diz que diz em silêncio o que eu não desejo ouvir
Tem me feito muito infeliz mas agora minha filha:
Outras palavras
Quase João, Gil, Ben, muito bem mas barroco como eu
Cérebro, máquina, palavras, sentidos, corações
Hiperestesia, Buarque, voilá, tu sais de cor
Tinjo-me romântico mas sou vadio computador
Só que sofri tanto que grita porém daqui pra a frente:
Outras palavras
Parafins, gatins, alphaluz, sexonhei da guerrapaz
Ouraxé, palávoras, driz, okê, cris, espacial
Projeitinho, imanso, ciumortevida, vivavid
Lambetelho, frúturo, orgasmaravalha-me Logun
Homenina nel paraís de felicidadania:
Outras palavras
Travo, trava mãe e papai, alma buena, dicha louca
Neca desse sono de nunca jamais nem never more
Sim, dizer que sim pra Cilu, pra Dedé, pra Dadi e Dó
Crista do desejo o destino deslinda-se em beleza:
Outras palavras
Tudo seu azul, tudo céu, tudo azul e furta-cor
Tudo meu amor, tudo mel, tudo amor e ouro e sol
Na televisão, na palavra, no átimo, no chão
Quero essa mulher solamente pra mim, mais, muito mais
Rima, pra que faz tanto, mas tudo dor, amor e gozo:
Outras palavras
Nem vem que não tem, vem que tem coração, tamanho trem
Como na palavra, palavra, a palavra estou em mim
E fora de mim
Quando você parece que não dá
Você diz que diz em silêncio o que eu não desejo ouvir
Tem me feito muito infeliz mas agora minha filha:
Outras palavras
Quase João, Gil, Ben, muito bem mas barroco como eu
Cérebro, máquina, palavras, sentidos, corações
Hiperestesia, Buarque, voilá, tu sais de cor
Tinjo-me romântico mas sou vadio computador
Só que sofri tanto que grita porém daqui pra a frente:
Outras palavras
Parafins, gatins, alphaluz, sexonhei da guerrapaz
Ouraxé, palávoras, driz, okê, cris, espacial
Projeitinho, imanso, ciumortevida, vivavid
Lambetelho, frúturo, orgasmaravalha-me Logun
Homenina nel paraís de felicidadania:
Outras palavras
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