quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Escolhi viver, ainda que todavia tropece muito...

Parece que assim como as lágrimas lavam a alma da tristeza que transborda, os fios de cabelo branco aparecem sorrateiramente como marcas visíveis das dores, para não as esquecermos nunca. Quando um mês depois de casarmos meu companheiro teve uma piora de diagnóstico, ganhei incontáveis fios de cabelos brancos em alguns meses. Agora, após sua partida, me imagino envelhecendo cinco anos em um... Não os pinto, pois não nego o peso das dores que os trouxeram. Ao contrário, quero me olhar no espelho e, mesmo vendo as marcas explícitas das fraturas expostas da alma, saber que de algum lugar desconhecido brotou a força que me mantém de pé.
Ainda me arrasto e sigo lavando a alma com lágrimas, mas um dia dançarei com paixão pela vida e lavarei a alma com menos frequência, porque não estou me furtando agora da enxurrada que leva, junto com as lágrimas que correm, os destroços de todos os caminhos do meu coração devassado. Que venham os cabelos brancos das dores vividas com entrega, assim como foi a entrega ao amor que as trouxeram!
Escolho viver.

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